Banana&Etc

fevereiro 25, 2007

Domingo à flor da pele, do céu, do sol...

Neste maravilhoso dia de sol, o estupendo azul do céu e a belíssima voz de Luciana Souza, cantando "Suas Mãos", mexem com a minha sensibilidade.

Navegando por aí, encontro belas imagens, textos e gestos que fazem bem ao coração. Viajo pelos tons quentes no blog da Sonia, leio e escuto coisas belas no blog da Esther e constato, mais uma vez, através do Almanaque, a delicadeza de expressão do meu talentoso amigo Zerramos, até nas coisas mais tristes da vida.

 João Hélio


Não é um Domingo qualquer, mesmo porque hoje é aniversário da carioquíssima Li Stoducto, amiga de longa data, a quem dedico o post de hoje.


fevereiro 21, 2007

Mineirices


...relendo Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa)

Melhor para a idéia se bem abrir é andando em trem de ferro. Pudesse vivia pra cima e para baixo dentro dele.


 Caminhos de ferro
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fevereiro 3, 2007

Homenagem ao malandro

Nem tudo se acha no Google, querido leitor. Graças à memória de Oscar, querido amigo do Rio, trago pra vocês, com exclusividade, uma historinha da malandragem carioca que era contada em um dos programas da Rádio Nacional, década de 40 ou 50.

Segundo ele, a história era interpretada por um comediante chamado Germano, mas não se tem certeza sobre o fato. Se alguém tiver mais alguma informação, será muito bem-vinda. Para que o texto seja melhor compreendido, coloquei no final um "glossário da malandragem".

O malandro carioca, imortalizado em várias músicas, usava terno branco, chapéu Panamá e sapatos bicolores. Era boêmio, freqüentava os botecos - principalmente da Lapa - praticava pequenos golpes e levava sempre navalha no bolso. Era, no entanto, galante, sentimental, cavalheiro e amante invejável.

A história é a seguinte:

Um malandro havia sido preso por ter matado um garçom a navalhadas. Na cadeia, relata o sucedido ao advogado de defesa que lhe foi designado.

 Malandro

"Eu tinha acabado de afanar umas penosas e uns cantantes e vinha perambulando pelo pisante, esperando que um rabo-de-saia saísse de uma panela de apito.
Nessa altura, passou um pereba bostejando, não fui com os cornos dele, dei-lhe um catiripapo no mastigador de alfafa, pisei-lhe na caixa de catarro e deixei-o duro no pisante.
Aí, chegou a maior sacanagem, meti os peitos e fui até o fim do carretel. Saltei no vazio da Lapa e, com o estômago comicha não comicha, entrei no China, chamei o pede-pede e encomendei retalho de boi morto com fritas.
Depois de ter comichado bem o estômago, pedi a conta. O pede-pede foi ao teco-teco e me trouxe a dolorosa.
Não concordei, virei pra ele e disse:
- Velho, bota isso no congelador, quando eu tiver calor no bolso volto aqui pra degelar.
O cara cantou novena e sambou na minha frente. Virei-me pra ele e disse:
- Olha aqui, malandro, sou pequenininho e pretinho, mas não sou o gato Félix!
O cabra bostejou. Não conversei, dei-lhe um chá de barriguinha, puxei a solinger e abri uma Presidente Vargas com duas transversais no peste. Não era pra matar, mas o nego era morredor e o diabo levou.
Nessa altura, o mandarim, aproveitando a confusão, telefonou pro seu delega que compareceu com a turma do deixa-disso. Não tive folga pra fazer a pista e me gadunharam em tempo. Passaram raio-X e encontraram o livro de missa, as bolinhas de gude quadradas e os quatro anéis.
Agora doutor, vê se tece os seus pauzinhos porque eu não quero ver o sol nascer quadrado, ta no ré?".

Se não é assim, é mais ou menos assim :)

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Imagem: capa do livro "Malandro Divino", de Zeca Ligiéro (montagem).

Glossário

Penosa e cantante - galinha e galo

Pisante – calçada

Panela de apito – fábricas que anunciavam a hora do almoço (meio-dia) por apitos

Caixa de catarro - peito

A maior sacanagem - bonde nº 69, Aldeia Campista/RJ

Fim do carretel - fim da linha

Pede-pede - garçom

Retalho de boi – bife

Teco-teco - caixa registradora

Chá de barriguinha - golpe de briga que consistia numa cabeçada na barriga do adversário, ao mesmo tempo que se lhe puxava as pernas.

Solinger – navalha alemã, cuja marca "Solinger" tornou-se sinônimo de navalha

Fazer a pista – correr

Livro de missa – baralho

Bolinhas de gude quadradas – dados

Quatro anéis - soco inglês

Ta no ré - ta legal

Já não se faz mais malandro como antigamente...

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Homenagem ao Malandro
(Chico Buarque)


Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais.
Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem não existe mais.
Agora já não é normal, o que dá de malandro
regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;
malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal.
Mas o malandro para valer, não espalha,
aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal.
Dizem as más línguas que ele até trabalha,
Mora lá longe chacoalha, no trem da central.