Banana&Etc |
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setembro 24, 2005
Poucos dias antes da chegada da primavera, fomos brindados com esse presente da natureza. Na chegada ao trabalho, nos jardins da empresa, o maravilhoso ipê branco nos mostrava o quanto é bela a natureza. Foi um fenômeno curto, pois sua floração durou menos de uma semana, mas de um arrebatamento incrível!
Lembrei-me da delicadeza de Cecília Meireles, em "Primavera": (...) "Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor. Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera." ******* O post de hoje é dedicado a minha querida amiga Sheila, que aniversaria ******* Gente, ainda sobre a Cow Parede em São Paulo, a melhor cobertura do evento está sendo feita pelo querido Guto Galli e seu irmão gêmeo. O Guto criou o blog "Eu vi a Vaca" e está colocando mais fotos também no Multiply. É imperdível! Deize, tem banana na Cowmen Miranda (muito bem lembrado pela Kel) e na Miss Tropicow :))
setembro 17, 2005
(...) "Deodato sabia o que eram baratas, tivera até uma questão pessoal com duas delas, nem por isso saíra por aí perguntando aos demais se sabiam o que era uma barata para ele. Lembrava-se muito bem do caso mais recente. Numa certa manhã - sempre numa certa manhã, filosofou - abriu a porta do seu armário de banheiro e deparou com a dita cuja, parada, em atitude que lhe pareceu reflexiva, sobre a barra de sustentação dos cabides. Deodato tomou-se de súbita angústia existencial diante do dilema constrangedor, trazido pelas circunstâncias: ignorar ou matar a barata. Caráter obsessivo e perfeccionista, sua decisão teria de ser bem fundamentada perante si mesmo e jamais um impulso de nojo, preguiça ou maldade gratuita. Deodato suprimiu de suas considerações o medo. Honra é honra e tem de prevalecer até entre quatro paredes. Nem pensar em medo. Foi quando ficou claro para Deodato que a barata se contorcia, em coreografia de sofrimento. ![]() Para Deodato, o tempo da barata acabava, como dizem os índios. Solitária, longe dos filhos - marido é coisa que talvez não diga respeito a baratas -, morria sem chegar a alcançar o sentido da vida. E sabia disso porque também sabia que ninguém morria tendo alcançado o sentido da vida. Imobilizado pelo drama e pelo sentimento de inutilidade diante da dor alheia, Deodato viu a barata desarquear-se, ganhar formas de repouso e, a seguir, arrepiar carreira, deixando sobre o ombro de sua camisa branca, pendurada no cabide em frente, um pequeno olho castanho com insolente pupila negra, que ele, Deodato, não demorou a identificar como cocô. ![]() Um prosaico cocô, eis o produto final dos filosofares de Deodato sobre os mistérios da vida animal. Lembrou-se também Deodato de que a barata escapara com vida, talvez um tanto bêbada e cambaleante pelo banho de desodorante e desinfetante que a má pontaria do seu desafeto lhe propiciara em quantidade diluviana. Chinelos nem pensar, não foram cogitados muito menos usados, pela deselegância do estilo e visão antiestética final. Talvez ainda hoje vivesse a barata, entre um e outro ralo do apartamento, como sobrevivente de uma hecatombe, sem entender por que desencadeara com um simples cocô todas as forças da natureza. O fato é que foi assim, pouco poético, o final desse drama de amor e ódio, mal resolvido, entre a barata e Deodato." (...) ******* Com a devida autorização do autor, o trecho acima é do conto A barata, do livro Histórias sem dono, do meu amigo Max Araripe. Para Pecus e Leila Eme, que pediram uma amostra. Além de ter sido ótima a noite de autógrafos, mais uma vez tive o prazer e a alegria de encontrar minha querida Angela. Entre papos e beijos, brindamos o encontro com uma deliciosa taça de guaraná :)) Lu, eu juro que é verdade! :)) As baratinhas do post são da premiada propaganda do Rodox. Bom fim de semana a todos!
setembro 11, 2005
Sábado, 30 de julho de 2005 02:56 Na minha caixa postal: "Está saindo a fórceps meu segundo filhote, Histórias sem dono. Vocês receberão um convite formal para o lançamento. Por enquanto, o convite é mesmo este e-mail, a fim de que, prevenidos, os amigos reservem a data caso desejem prestigiar este fenômeno das letras que, agora mais maduro, caminha celeremente e a passos largos para o mais absoluto anonimato." (...) Assim é meu querido amigo Max Araripe - elegante, humor fino e inteligente, modesto ao falar de sua obra. Citado aqui no Banana, no post "O que abunda, não falta!", seu primeiro livro, Linguagem Sobre Sexo no Brasil (Ed. Lucerna - 1999), é obra de referência lida dentro e fora do país. O segundo, Histórias sem dono (Ed. Zeus), tem lançamento marcado para a próxima quarta, dia 14/09/2005, no Rio. "Histórias sem dono são minicontos com princípio, meio e fim - fim no geral surpreendente. Fatos simples do cotidiano se fundem, resultando sempre numa nova e saborosa história. O mérito da criação está principalmente na habilidade do arranjo. O produto final é muitas vezes incrível, e quanto mais incrível, mais real. A linguagem dos textos tem delicadeza, como em A dama e as flores, A gravata borboleta e Duas páginas de amor; humor realista e quase fantástico, como em A barata e O enterro; e ainda um toque imprevisível, quando a culpa se transforma em vingança, como no conto A perna mecânica. Não se trata de contos autobiográficos - alguns até o são - mas sim de histórias desenroladas no entorno de uma vida, a vida do autor, testemunha visual ou auditiva, conforme o caso, dessas histórias verdadeiramente sem dono, em que pessoas reais tornam-se personagens de ficção, e personagens ficcionais compõem histórias reais." Alô turma do Rio! Não perca!!! Se tudo der certo, estarei aí no dia 14. Anote na agenda: - Dia 14 de setembro, a partir das 18 horas.
- Local: Livraria Renovar
- Endereço: rua Visconde de Pirajá, 273-A, Ipanema, quase esquina da Vinícius de Moraes.
Tenham todos uma ótima semana!
Banana na Cow Parade :))
setembro 7, 2005
Dicas de ótimas leituras Contado com alguns toques de humor, emocionante o post sobre o Resgate do Oliver. Vale a pena passar no Liberal Libertário Libertino e acompanhar a saga do blogueiro Alex Castro e Oliver - seu poodle de estimação. Há três dias eu não saio de lá. Já li tudo desde a chegada de Alex a New Orleans, em 12/08/05, até o resgate do serelepe cãozinho. Só pra vocês terem uma idéia, vejam um trecho escrito pelo Alex sobre Mark, o fotógrafo que resgatou Oliver: "Esse homem é meu herói. De verdade. Por uma série de razões. A primeira é por ter conseguido entrar em Nola, sozinho, só ele e um amigo, quando muita gente boa e mais cheia de contatos não conseguiu. Depois, ele conseguiu achar meu endereço em uma cidade desconhecida e totalmente convulsionada, arrombou minha porta sem ninguém prendê-lo ou linchá-lo, resgatou o Oliver e ainda dirigiu por dois dias com aquele bicho maluco perturbando. E tudo isso pelo cachorro do amigo da mulher do filho dos conhecidos dos pais da amiga dele. Sensacional." Ainda estou tentando decifrar isso :)) Valeu pela notícia do Oliver, Suely. ******* Eu gostaria muito de não ter ficado apenas indignada com os acontecidos em New Orleans, mas de ter dado também algum tipo de contribuição. Não o fiz, mas acabei descobrindo blogueiros solidários, capazes de mobilizar a comunidade em busca de ajuda na localização de pessoas desaparecidas. Idelber, do blog O Biscoito Fino e a Massa, como bem disse o Alex, transformou seu blog em "centro de informações para refugiados e parentes de desaparecidos." Parabéns pelo gesto nobre, Idelber! ******* E é claro que eu não poderia terminar sem antes dar mais uma dica de ótima leitura. É coisa boa, muito bem escrita, com toques de suspense e muita emoção. É coisa quente!!! Então clique logo em Hot Memories que eu tenho certeza que você vai ficar viciado nos "trechos da vida glamourosa de S. L. e seus bastidores singulares, a ser publicada na íntegra em 2006". Eu já fiquei. Quem será S. L.?... tchanaaan :)) Não se esqueça de começar a ler de baixo pra cima, no post de 15/08/05 :)
setembro 2, 2005
And I think to myself, what a wonderful world...
Será mesmo, meu caro Satchmo? Às vezes fico a pensar se o mundo não é maravilhoso apenas para uma minoria. Veja o que aconteceu em sua terra natal - New Orleans - lugar onde você emocionou tantas pessoas com a magia de sua música e com seu alto astral. "Somos pessoas descartadas", disse Sherman Wright, de 69 anos, que abandonou sua casa na segunda-feira devido à elevação das águas. "Nossos políticos não estão movendo uma palha por nós". A maior parte das vítimas do Katrina é composta por negros e pobres. Fonte: Yahoo Notícias Tô revoltada :( ******* Katrina silencia música de Nova Orleans LOS ANGELES (Reuters) - O Katrina não destruiu apenas uma cidade: o furacão também silenciou sua música. Nova Orleans não se depara somente com a perda de vidas humanas, mas também com uma perda cultural da qual pode nunca mais se recuperar. A cidade é celebrada como o berço do jazz e abrigava vários tipos de manifestações musicais, do rhythm and blues ao zydeco. Agora, as ruas onde os funerais movidos pela batida do jazz passavam e onde clubes esfumacentos abrigavam jam sessions pela noite afora estão sob as águas. Muitos se perguntam se a grande tradição musical de Nova Orleans, calcada em nomes lendários como Louis Armstrong, Fats Domino e os Neville Brothers, teria sido afogada pela violência do Katrina. (...) Por Sue Zeidler - Yahoo Notícias Tô revoltada e triste :( :( ******* Atualização - 03/09 - 21:00 Acabei de receber da Goldenlist do c.a.t. Veja a foto clicando no link do c.a.t. Um "saqueia" o outro "acha" A turma está tiririca da vida com o viés racista de legendas de fotos online mostrando pessoas carregando mercadorias de lojas alagadas em New Orleans. Quando o camarada é negro, ele saqueou a mercadoria. Mas quando é branco, ele "achou". Leia as legendas na foto anexa. A Associated Press escreveu "after looting a grocery store" (depois de saquear um horti-fruti). Já a France Press escreveu "after finding bread and soda" (depois de achar pão e refrigerante). No link do Yahoo apontando para a France Press, eles informam que a agência mandou tirar do ar as fotos. Mas, para nossa alegria, o Yahoo informa vários outros links onde as telas originais aparecem: Flickr, Salon, Romenesko e Gothamist. Continuo indignada! :( |