Banana&Etc |
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junho 29, 2005
By, by, brazilian ou... o Abelardo pirou! - Banana, cê leu o Ancelmo anteontem?
- Li não, Abelardo. Sebunda eu nem tive tempo de abrir o Globo. Mas o que havia de tão interessante?
- Vou pegar... Achei, o jornal ainda está aqui. Escuta: "Lembra aquele, digamos, penteado das partes íntimas batizado pelas inglesas de "brazilian"?
- Claro que lembro, Abelardo. Até fiz um post falando sobre o estilo Brazilian Bikini Wax e Brazilian Sunga Wax!
- Ah, é! Continuando... "Pois saiu de moda lá o tal estilo de depilação no qual todos os pêlos da mulher eram retirados, à exceção de uma faixinha central igual a um bigodinho."
- Gostou, né? Cê detesta aquela cara de Hitler!
- Hehe, ainda tem mais... "Ontem, a revista "Style", do jornalão "Sunday Times", decretou: "O estilo matagal está de volta."
- Vai ser chegado em floresta Amazônica assim lá na China! Abelardo, tem floresta na China?
- Banana, o que tem muito na China é chinês, hahahaha!
- Hummm, bobão. Fica aí rindo, mas eu sei que o que tem muito na China é floresta de arroz.
- O que????!!!!!!!
- Nada não, num tá mais aqui quem falou.
- Vou fingir que não ouvi, mas... o Ancelmo termina assim: "Em inglês, a "Style" chama o estilo cabeludo de "bush" - que, em português, é "arbusto".
- Uai, Abelardo, num era melhor então que essa moda fosse batizada de Bin Laden?
- Mas não é, o estilo agora é "bush" e eu já vou logo lançar duas campanhas: a CCAN - Campanha pela Conservação do Arbusto na Natureza e a CPBP - Campanha pela Permanência do Bush no Poder.
- Abelardo, eu tenho duas amigas que conhecem o Dr. Eiras. Continua assim procê ver! Eu te interno!
- Pô, Bananinha, mas eu gosto tanto.
- E eu não sei? Cê adora ecologia! Nunca vi alguém querer preservar tanto a Mata Atlântica como você...
- Banana, posso começar a minha campanha a favor do "bush"?
- Abelardo!!!
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junho 26, 2005
Amanhã é "seBunda"
Vamos lá, pessoal.
Call me
junho 24, 2005
Mulheres à frente de seu tempo
Em agosto de 1999, assisti a belíssima exposição de Madame Yevonde no CCBB - Rio de Janeiro. Nascida em 1893, em Londres, Yevonde Cumbers decidiu ser independente e tornar-se fotógrafa, aos 17 anos. Uma das características de destaque, e a ela atribui-se o interesse que seu trabalho continua despertando no público até hoje, diz respeito à sua expressa convicção sobre a causa sufragista, que motiva toda a sua produção artística e a encoraja a explorar a questão do papel social e sexual da mulher de forma sem precedentes e não comparável a qualquer outra fotógrafa da época.
"Yevonde não foi pioneira apenas por acreditar que os primeiros experimentos com a fotografia colorida não seriam uma moda passageira. A retratista da aristocracia britânica dos anos 20 foi uma das primeiras a banir os móveis estilo império de seus cenários e a queixar-se da "pouca variedade de poses" dos modelos. Na década em que Hollywood transformou atrizes em deusas do cinema, Yevonde chacoalhou a conservadora sociedade britânica retratando as damas da alta sociedade como deusas gregas e romanas. A mostra conta com 16 fotos da série "Deusas" e mais de 40 trabalhos editoriais e publicitários - com clara influência surrealista." (Paula Alzugaray) ******* O post de hoje é dedicado à nossa querida Helenice, que está super feliz com a reportagem publicada na revista Viva Mais. "Fico vaidosa com isso, pois é com muito carinho que blogo no Divagando. Quem sabe assim essa reportagem estimule outras senhoras a perder o medo do computador e a criar um blog????." Beijos e parabéns, Helenice!
junho 20, 2005
Sempre me perguntam qual foi a cobertura que eu mais gostei de fazer. Pois foi justamente a mais dura. Onze de Setembro. É triste quando o melhor trabalho coincide com a pior tragédia da cidade onde a gente vive. Mas repórter é isso mesmo. Tem quem chame de "urubu", que vive de carniça. Não é justo. A gente sofre em dobro: o sofrimento dos outros, mais o nosso. De vez em quando eu caía no choro sem saber por que, andando numa rua tranquila de Nova York, depois do ataque. Como lidar com a emoção? O repórter corre o risco de errar a mão sem um bom editor como parceiro para criticar e corrigir o tom da reportagem. Fonte: GloboNews
junho 16, 2005
Anos 60 - Infância e Adolescência
"Aquele que lembra as lembranças, alça a gente ao universo paralelo das tintas da alma". (Drummond?)
Nasci e cresci numa cidade do interior de Minas Gerais. Sou a terceira de quatro filhos - dois irmãos mais velhos e uma irmã mais nova. Meu nascimento foi muito comemorado por ter chegado depois de dois homens e ter sido a primeira filha, sobrinha e neta. Minha mãe era professora e trabalhava fora, então passei muito da infância na casa da minha avó que morava bem perto de nós. São recordações que jamais esquecerei: chupar laranja no pé, raspar a panela de doce, deitar na rede em seu colo, ajudá-la a fazer bolo, aprender as primeiras notas no piano, deixá-la pentear meus cabelos, um monte de histórias contadas, rabiscar seu bloquinho de costuras enquanto ela pedalava aquela maravilha de onde saía as nossas roupinhas, almoçar a comida gostosa que só as avós sabem o segredo, dormir na sua cama, acompanhá-la nas procissões da Semana Santa, aprender a ler e a escrever no banco do quintal... Minha avó dizia que eu era "compenetrada". Eu nem imaginava o que era isso. Um dia, ela foi comigo ao dentista para a extração de um dente de leite. Como eu não chorei, ela comprou para mim a mais bonita bola de Natal que havia no comércio. Ainda pequena, influenciada pelos irmãos mais velhos, comecei a torcer pelo Botafogo. Adorava ver o Mané Garrincha jogar. Maior delícia era o picolé de groselha do bar da esquina. Chupávamos até extrair todo o seu suco e deixar no palito apenas um pouco de gelo. Refrigerante? Guaraná Champagne Antártica, mas só nos aniversários. Eu brincava com a meninada da minha rua. Era jogo de queimada, pique de colar, pique-bandeira, 5 marias (com pedrinhas redondas) e maré (amarelinha para alguns). Os brinquedos eram poucos, uma ou outra boneca, um carrossel de lata com aviõezinhos e pequenos objetos para brincar de casinha. Acreditava em Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e Saci Pererê. Minha maior emoção foi ganhar num Natal a Beijoca da Estrela. Ela era enorme para o meu tamanho e imagino o sacrifício que meu pai deve ter feito para comprá-la. Os Natais eram sempre especiais, pois adorávamos montar a árvore com bolas e aqueles tubinhos de água colorida e borbulhante. Na eletrola havia sempre um disco tocando músicas da época. As férias eram ótimas. Meus pais faziam economia o ano inteiro para que passássemos as férias na praia. É preciso ser mineiro para entender bem o que isto significa. Não tínhamos carro e a viagem era feita no Vera Cruz - trem de aço que saía de Belo Horizonte em direção ao Rio, e que passava em Depois veio o início da adolescência - fase de mudanças, de euforia e risos altos, de fossas e choros sem razão. Eu e minhas amigas saíamos do colégio gritando, assobiando, fazendo de tudo para chamar a atenção dos meninos. Havia paquera, troca de olhares e bilhetinhos. A parede do meu quarto era coberta com pôsteres de ídolos - Paul Mc Cartney, Burt Lancaster, Yves Montand, Steve McQueen, Marlon Brando, Alain Delon, Sophia Loren, Raquel Welch, Ursula Andress, Claudia Cardinale e a minha preferida: Candice Bergen. Eu era doida pra ser parecida com a Françoise Hardy, mas minha única coisa que a lembrava era o cabelo. No cinema, o encontro escondido com o namorado acontecia na sessão das 6. A gente sentava e guardava o lugar. Quando a luz se apagava o namorado entrava e sentava discretamente do nosso lado. Havia também as brincadeiras dançantes nos aniversários onde dançávamos com nossos paqueras. Ah, os aniversários! Quanta meia fina a gente ganhava! O máximo era quando se ganhava algum compacto, simples ou duplo. Beatles! Um luxo! Beatles forever! Havia também os discos da Jovem Guarda: Leno e Lílian, Renato e seus Blue Caps, Erasmo e Roberto Carlos e muitos outros. "Toda vez que chove, eu me lembro da garota quase sonho que me deu tanta emoção"...cantavam os Golden Boys. Na adolescência, aconteceu o primeiro beijo. Nada de língua! Beijo de lábios e boca levemente entreaberta. Os hormônios pareciam dançar o samba do crioulo doido, tamanha a agitação. Aos 14 anos, comecei a namorar de verdade. Tudo começou no meu baile de debutantes (que mico!). Mas foi uma fase importante em minha vida. Senti-me independente, já podia frequentar os bailes noturnos, inclusive os de carnaval. A música que marcou a data foi "Que Maravilha", de Jorge Ben. Chovia e o som rolava no clube: "Lá fora está chovendo, mas assim mesmo eu vou correndo só pra ver o meu amor. Ela vem toda de branco, toda molhada e despenteada, que maravilha que coisa linda é o meu amor.... a girar que maravilha!" E tudo girava como espiral colorida e psicodélica quando se aproximava o fim da década de 60. Eu estava com pouco mais de 14 anos, terminando o Ginasial, preparando-me para fazer o Científico. Muita coisa despertava e começava a se definir naquele inquieto coração. Mas esta história só continua quando/se eu resolver escrever sobre os anos 70... ******* A idéia de escrever sobre os anos 60, 70 ou 80 é daquela gostosura chamada Fal ;)
junho 11, 2005
Heloise & Abelard
Aproveitando o embalo, vale a pena ler isso aqui... "Seguramente como Inês de Castro que inspirou os maiores artistas, e cuja história, cantada, dramatizada, gravada em pedra, comove até hoje. Talvez porque ela é única, ao conjugar forças tremendas: as do amor erótico e do amor cortês, as da política e da ternura, as das razões do coração e as do Estado. Entre Pedro e Inês, tudo começou como um belo conto de fadas para terminar num banho de sangue: amor e morte, sempre juntos, para a eternidade." ...que continua aqui. Portugal comemora, durante todo o ano de 2005, os 650 anos da morte de Inês de Castro. Meu amigo Jorge Pereira de Sampaio, historiador de Alcobaça, avisa-me por e-mail que em setembro deverá vir ao Brasil para uma palestra sobre Inês de Castro, na USP. Mô! Cê vai comigo?
junho 8, 2005
Em homenagem à atriz Anne Bancroft, que morreu ontem nos EUA, republico o post abaixo que foi ao ar no dia 17/08/2004, dia seguinte ao meu aniversário. ******* Hoje, num pequeno intervalo para um café, pensava em uma forma de agradecer a todos que carinhosamente participaram da minha festa de aniversário. Foram momentos de muita alegria nos comentários, no e-mail e em blogs de amigos que eu gosto tanto. Como eu não conheço a maioria, imaginava as pessoas: como seriam? seus rostos, suas características físicas, suas formas de vida, seus sonhos... Embora nada substitua a força de um olhar, a energia de um abraço ou o calor de um beijo, que barato é esta relação via Internet! Há muito de mistério e fantasia, mas com o passar do tempo criamos laços de afeto que nos parecem indissolúveis. Vibramos com a alegria do outro, sofremos juntos nas horas difíceis, dizemos besteiras quando o assunto é humor, ou simplesmente passamos para um "oi" ou um beijo. Cheguei à conclusão que este tipo de amizade não é coisa nova, apenas as ferramentas mudaram, hoje mais velozes e mais desenvolvidas com o avanço tecnológico. Quem assistiu "Nunca te vi, sempre te amei" sabe do que eu estou falando. Uma jovem escritora americana, em busca de livros raros, escreve a uma livraria inglesa (na 84, Charing Cross Road, em Londres). A troca de correspondência com o livreiro gera uma relação afetuosa entre os dois que, mais tarde, se estende aos demais funcionários da livraria. Cartas, no lugar de e-mails ou comentários, mas uma história de verdadeira amizade. O filme, com excelentes atuações de Anne Bancroft e Anthony Hopkins, é uma obra-prima e toca, principalmente, pela relação sensível desenvolvida ao longo de 20 anos nascida do amor aos livros. A todos vocês os meus sinceros agradecimentos.
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junho 7, 2005
Chá de Jasmim, o Chá Imperial Ingredientes: Uma colher de chá das folhas, para cada xícara de água fervente. Nota: As folhas deste honorável chá de jasmim são prensadas junto com pequenas flores do jasmim estrelado e guardadas durante anos, antes de serem usadas. Este chá é famoso em todo o Extremo-Oriente e antigamente, na China Imperial, era usado somente pelos nobres da Corte.
Preparo: - Encha um bule em forma de pássaro com água de orvalho, ou das tuas lágrimas. - Ponha-o em fogo brando até que a água comece a sorrir. - Escute o suave ruído crescer até se tornar uma gargalhada de onda revolta. - Retire e despeje numa taça de porcelana, macia como os fios do bicho-da-seda, onde já repousam as folhas do chá de jasmim, colhido por virgens nas colheitas do terceiro mês da Lua Brilhante. - Mexa com uma colher de porcelana vermelha pintada de dragões. - Depois, cubra a taça com um pedacinho de seda azul - cor do céu depois das chuvas. - Sentirás um aroma doce como o Jardim das Flores que não murcham nunca. - Leve a taça aos lábios e beba devagar sete pequenos goles. - Teu corpo ficará leve como a primeira névoa da manhã e então, somente então, sentirás a felicidade suprema... (Chiang Sing - Receitas Tradicionais da Cozinha Chinesa) ******* E foi assim que o Banana&Etc começou, dois anos atrás. Obrigada a todos pelo carinho. 07/06/03 - 07/06/05
******* Em tempo:
junho 4, 2005
Bem cedo, na minha caixa postal... No Elevador do Filho de Deus Elisa Lucinda A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida Que eu já tô ficando craque em ressurreição. Bobeou eu tô morrendo Na minha extrema pulsão Na minha extrema-unção Na minha extrema menção de acordar viva todo dia Há dores que sinceramente eu não resolvo sinceramente sucumbo Há nós que não dissolvo e me torno moribundo de doer daquele corte do haver sangramento e forte que vem no mesmo malote das coisas queridas Vem dentro dos amores dentro das perdas de coisas antes possuídas dentro das alegrias havidas Há porradas que não tem saída há um monte de "não era isso que eu queria" Outro dia, acabei de morrer depois de uma crise sobre o existencialismo 3º mundo, ideologia e inflação... E quando penso que não me vejo ressurgida no banheiro feito punheteiro de chuveiro Sem cor, sem fala nem informática nem cabala eu era uma espécie de Lázara poeta ressucitada passaporte sem mala com destino de nada! A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida ensaiar mil vezes a séria despedida a morte real do gastamento do corpo a coisa mal resolvida daquela morte florida cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos que já to ficando especialista em renascimento Hoje, praticamente, eu morro quando quero: às vezes só porque não foi um bom desfecho ou porque eu não concordo Ou uma bela puxada no tapete ou porque eu mesma me enrolo Não dá outra: tiro o chinelo... E dou uma morrida! Não atendo telefone, campainha... Fico aí camisolenta em estado de éter nem zangada, nem histérica, nem puta da vida! Tô nocauteada, tô morrida! Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa não tem aquela ansiedade para entrar em cena É uma espécie de venda uma espécie de encomenda que a gente faz pra ter depois ter um produto com maior resistência onde a gente se recolhe (e quem não assume nega) e fica feito a justiça: cega Depois acorda bela corta os cabelos muda a maquiagem reinventa modelos reencontra os amigos que fazem a velha e merecida pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?" E a gente com aquela cara de fantasma moderno, de expersona falida: - Não, tava só deprimida. ******* Ughhh! Tô nocauteada. Obrigada, Oscar. ******* Pra quem perguntou, no post das férias, o Hotel Bosta fica aqui. |