Banana&Etc |
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outubro 30, 2004
O Haiti, seja aqui... - E aí? Já decidiu onde passar as férias? - Já, quero ir para o Haiti. - HAITI??? Em plena crise política? Violência, mortes... Vai se alistar no exército? - Não foi nada disso que eu li, soube que o lugar é tranquilo. - Tem certeza que é Haiti? - Tenho sim, não é lá que fica a Polinésia Francesa? - Não, Banana, a Polinésia é formada por arquipélagos e uma das ilhas mais famosas da região é o Taiti. - Ah, é quase a mesma coisa, um "T" a mais, um "T" a menos... - Mas você só tem duas semanas e é complicado chegar lá. - Uai, é só pegar o avião e pedir pra descer no Taiti. - Não é tão simples assim. O caminho mais curto e barato é pelo Chile, fazendo uma parada em Páscoa. - Mas até a Páscoa as minhas férias já foram pro brejo. Nem até o Natal, que está perto, vai dar mais. - Na ILHA de Páscoa, Banana! - Ah, bom, agora entendi. Vem cá, não é lá no Taiti que tinha um pintor famoso que cortou uma orelha e pintava umas morenas? - Não, Banana, o que cortou a orelha era Van Gogh. Foi Gauguin quem pintou o cenário primitivo e luminoso da região e as formas opulentas de suas mulheres. - É que me encomendaram um chaveirinho ou um ímã de geladeira desse Gauguin. - Mas lá não existe camelô nem feirinha de muamba do Paraguai. - Pena, já não gostei muito. - E então? Já pesquisou a diária dos hotéis? - Ainda não, mas o que sobrou do meu 13º deve dar pra pagar. - Melhor olhar logo. - Tá bom, vou pesquisar na Net. pesquisando... - Que legal! Tem uma pousadinha aqui dentro do mar por 80 reais a diária! - Não pode ser, você deve estar maluca. Deixe-me ver... U$800 DÓLARES a diária sem café da manhã! - Eu tomo café da manhã na lanchonete da esquina, uai. - Você está precisando ir ao oculista, nesse preço não vai dar nem com o 14º, 15º, 16º... - Ih, tô lendo aqui que tudo lá é de coco: shampoo, sabonete, hidratante. Putz! Todo mundo lá deve cheirar a sabão de coco. - O coco é responsável pela segunda movimentação finaceira das ilhas, a primeira é o turismo. - Gostei não, pensei que na Polinésia Francesa só tinha creme e perfume francês. Eles falam aqui sobre as flores, fazem colares e colocam no seu pescoço quando você chega. Eu colocava colar de flor quando era pequena e me fantasiava de havaiana com aquela saia de ráfia. No fim do baile a saia já estava pobre pobre, as tirinhas se soltavam, hehe. - O primeiro contato, já no aeroporto, é com um botão da tiare taitiana, uma florzinha branca e cheirosa que eles põem atrás da orelha e... - Olha só, tô lendo também que eles fazem colares de conchas. Ora bolas, colar de conchinha tem em qualquer praia vagabunda do Brasil. Sabe de uma coisa? Tô achando esse lugar muito pobre, longe de tudo e no meio do nada. Vou comprar uma passagem da 1001 e me mandar pra Cabo Frio.
"Brigam Espanha e Holanda
O mar é das gaivotas que nele sabem voar.
Brigam Espanha e Holanda
Cabo Frio, outubro/2004 Referências sobre a Polinésia Francesa: Folha On Line
outubro 23, 2004
Flagrantes da vida (ir)real Oi, pessoal! Negócio é o seguinte: Com a grana que sobrou do 13º salário do ano passado (hohoho), eu resolvi fazer uma viagenzinha pela Polinésia Francesa, na Oceania, coisa simplezinha :)) Aqui já é dia 24, então me lembrei do aniversário do nosso querido Matusca. Aproveito para deixar algumas fotos da festa e pra dizer que ainda tem bolo no Happy. - Extrupício! Parabéns pelos seus 2000 anos de vida... Vida? :)) Beijos a todos.
Observação: para quem não sabe, Matusca é o de suéter preta
outubro 17, 2004
Volto já
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Beijos a todos
outubro 14, 2004
Cadê minhas amigas? :(
O Mblog deletou o Cicatrizes de Mirada e o Língua de Mariposa, da Nora.
******* Tem bolo no Happy!
outubro 11, 2004
A última crônica A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica. Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome. Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim. São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso. Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
Texto extraído do livro "A Companheira de Viagem", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1965, pág. 174. ![]()
O Banana&Etc está de luto com a morte de Fernando Sabino. Ontem, conversando com amigos sobre Paulo Mendes Campos, que está no post anterior, um deles comentou: "O Paulo foi um dos meus cronistas preferidos. Achava ele melhor do que o Rubem Braga. Mas li pouco poesias dele, praticamente só li crônicas. Ele, Fernando Sabino, Otto Lara Rezende, Henrique Pongetti, nunca mais apareceu gente desse quilate. Talvez o Veríssimo, o Ubaldo..." "De tudo, o mais precioso à minha formação, todavia, talvez tenha sido a amizade que me ligou desde então e pela vida afora a Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, tendo como inspiração comum o culto à Literatura." F.S.
outubro 9, 2004
O Diálogo Eterno Paulo Mendes Campos, em sua genialidade, reuniu dois grandes poetas criando este magnífico diálogo entre um homem e uma mulher. A composição respeita a integridade dos versos de Cecília Meireles, em sua "Obra Poética" e de Emílio Moura, em "Itinerário Poético". As afinidades do lirismo de ambos emprestam ao diálogo unidade e espontaneidade.
Ele: Porque não te conheci menina?
Este é mais um serviço de post requentado do Banana&Etc. O "Diálogo Eterno" foi publicado aqui em agosto de 2003, mas ele é tão lindo que resolvi trazê-lo de volta. O texto foi publicado em uma revista Ele e Ela, que eu tenho guardada até hoje, muuuuuuuuitos anos atrás (ai de mim que sou romântica). Quem quiser ler mais um pouco sobre Paulo Mendes Campos, Cecília Meireles e Emílio Moura é só clicar nos nomes dos poetas. Beijos a todos e bom feriadão!
outubro 3, 2004
Botafogo Nome derivado de um rico fazendeiro de café, José Pereira Botafogo, o bairro tem o cartão postal mais famoso do Rio e um dos mais belos do mundo. Sua arquitetura imponente na orla da praia, seus casarões construídos no Brasil-Império, a Casa de Rui Barbosa, a visão do Pão de Açúcar, os luxuosos barcos brancos ancorados no Iate Clube do Rio de Janeiro, o "Manequinho", o Museu do Índio, o Restaurante Aurora, são alguns pontos de grande interesse e beleza do bairro. ![]()
Mas Botafogo também é o nome do meu time do coração e todos que frequentam o Banana há mais tempo já sabem da minha paixão. Hoje, especialmente feliz depois da vitória do meu time sobre o Fluminense (sinto muito, B2), decidi publicar aqui um texto de um amigo querido. Um belo dia, no blog da Cora, resolvi meter o bedelho em um comentário de uma pessoa, até então, desconhecida para mim. O assunto era o Almanaque "Eu Sei Tudo". A partir daí, eu e esta pessoa, começamos a interagir via comentários e e-mails. Troca de impressões, sentimentos, opiniões, divergências, enfim, eis que surgiu mais um belo relacionamento advindo deste maravilhoso universo chamado blog. Reproduzo aqui uma história bonita e sensível do querido amigo Adelino, a quem agradeço a autorização para publicá-la.
Embora não o conhecesse pessoalmente, sempre tive grande respeito e admiração pelo ilustre, simpático, culto e destemido jornalista alvinegro João Saldanha, o João Sem Medo... Certa ocasião, ganhei da minha filha no Dia dos Pais um livro dele de nome "Meus Amigos", expressão que usava habitualmente na abertura de seus comentários e crônicas sobre o futebol. É uma espécie de livro de memórias, em que narra inúmeros casos pitorescos acontecidos em concentrações e viagens do Botafogo e da seleção brasileira. Na época, o João assinava a principal coluna esportiva do Jornal do Brasil, tempo em que o jornalista era obrigado a ir à redação ou à estação de rádio para - "ao vivo" - comentar ou escrever a coluna. Com o progresso dos meios de comunicação a maioria hoje faz isso via Internet ou telefone celular diretamente do escritório ou biblioteca, com direito a cafezinho, água gelada e ar condicionado. Comentam até jogos internacionais vistos pela TV, incluindo críticas a árbitros e bandeirinhas, não sem antes ver e rever lances duvidosos em "slow-motion" e "tira-teima" com precisão de centímetros. Pois bem, João andava meio sumido, difícil. Como obter o autógrafo dele no meu livro? Até que achei uma solução que de início me parecera até um pouco ridícula: "acomodei" o "Meus Amigos" num envelope pardo destinado a mim próprio, e o coloquei dentro de outro maior, cujo destinatário era "Jornalista Sr. João Saldanha, a/c do Jornal do Brasil". Num bilhete manuscrito eu mostrava a rotina a ser seguida. No dia seguinte deixei a "encomenda" na sede do JB, explicando ao porteiro do que se tratava. Este, muito educadamente, me esclareceu que se eu desejasse falar diretamente com aquele jornalista isso não teria o menor problema, mas que infelizmente ele se encontrava em férias. Disse-lhe que não era o caso, pois na realidade eu não queria mesmo era incomodá-lo, tanto que optara por aquele artifício. Agradeci e fui embora. Estávamos em meados do mês de dezembro. Passaram-se mais de trinta dias e ninguém se manifestava. Imaginei que o João, com aquele seu jeito irreverente, sem meias palavras, "pavio-curto", mas de imenso carisma e bondade talvez tivesse dito: "Que coisa mais maluca. Ora bolas, esse Adelino vai ficar é na saudade". O tempo passou. Já nem me lembrava mais do assunto. Certo dia, porém, recebi um telefonema comunicando que tinha um envelope em meu nome na portaria do jornal. Quando pude, fui à sede do JB, ali recebendo do gentil e educado porteiro o tal envelope. Não perguntei o que e nem de quem era. Somente o abri quando cheguei em casa à noite. E lá estava o meu livro com uma dedicatória curiosa: João riscara os dois "esses" de "Meus Amigos", colocando no singular o título do livro, e acrescentara acima dele o vocábulo "Ao". Então, a dedicatória ou autógrafo do nosso caro jornalista ficou exatamente assim: "Ao Meu Amigo Adelino, com um muito obrigado e abraço do João Saldanha. XII - 87". ******* Detalhe: o Adelino é vascaíno.
O post de hoje é dedicado a uma pessoa especial. Desde que nos conhecemos ela é leitora fiel do Banana. Moradora de Botafogo, presença constante nos comentários e no meu e-mail, sempre dando a maior força nos momentos bons ou difíceis, a Lu merece todo o nosso carinho. |