Banana&Etc |
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setembro 26, 2004
Pedro Nava - memorialista de rara grandeza
"Tal qual Proust, de quem foi assíduo leitor, Nava começava a trazer à tona o que estava submerso, a abrir o baú da memória, a exumar e a reanimar seus mortos. No lugar da madeleine e da chávena de chá proustianas, os doces de coco, o cheiro do cravo, a carne, a banha e o sabor de porco que toma toda a comida mineira, a batida do Ceará, a rua do Ouvidor, a topografia de Juiz de Fora. Com sua escrita abarrocada, o escritor mineiro passa de um assunto a outro - da geografia das cidades à vida burguesa, dos retratos familiares à vida política e intelectual, da culinária à medicina e aos costumes de época - e tudo isso feito com tamanha habilidade verbal, com tantos sentidos que vão se somando, que o leitor deixa-se levar pelo mar de palavras, quase sem se dar conta da colcha de retalhos tecida."
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(...) Vinham as frigideiras, os caldeirões, as panelas de ferro e as panelas de pedra, os ganchos, as trempes, as colheres de metal e as colheres de pau, os garfos e os espetos, as facas e os trinchantes, as cafeteiras, as chaleiras, os sacos de fubá, de feijão, de farinha, os amarrados de linguiça, do porco salgado, do toucinho, os embornais com temperos, queijos, rapaduras e o milho das bestas. Nas paradas os homens descansavam pitando, a negrada ajuntava lenha e acendia o fogo, as mulheres e as escravas preparavam a comida. O angu, que, mole ou duro, se combina com o feijão, com o arroz, com a carne e cujo único tempero deve ser o sal, assim mesmo pouco, para não alterar o gosto do que o vai acompanhar. O que sobra é cortado em fatias, que, fritas, são o pão do mineiro de cada dia. O feijão servido com bastante sal durante as paradas é levado em caixetas atulhadas e em cujos intervalos se escorreu a banha derretida, que endurece e não deixa azedar a massa cozida na hora, vai tudo para a frigideira, a banha derrete-se, solta e refoga as pévides com mais a cebola, o alho, o cheiro-verde, a salsa e muita pimenta. Rola-se na farinha que se embebe de gordura, mas não pode ficar empapada - antes móvel, toda untada e toda desgrudada. Come-se com o ovo frito, a linguiça frita, o lombo frito e o torresmo totêmico. Repete-se antes de acabar. Parece fuga de Bach. É de chorar... Obra prima de simplicidade romântica, o nômade feijão-de-tropeiro das Minas rivaliza com o floreado gótico da sedentária feijoada completa - honra e glória da culinária do Rio de Janeiro. E os queijos? Moles, escorrendo soro, curados, escorrendo manteiga, os pastosos, do Serro, os duros, do Arassuaí. Todos ficam elásticos e dão turvações de sépia ao café forte fervido com rapadura e que deixa nas tigelas veios em relevo lustroso, como as lascas de uma pintura japonesa. Uma lambada de pinga de Januária e pronto! Vamos, tudo a cavalo, cinturas no molejo e bunda de ferro para as léguas e léguas de campo e mata e várzea e monte... Pedro Nava, em "Baú de Ossos" ******* João Antônio, pra você, pelo prazer da sua volta no Grafo. Para quem gosta de Nava, há outro belo momento sobre a cozinha mineira aqui.
setembro 21, 2004
Quando fui atualizar o blog vi que o post é o de nº 200. Por coincidência, havia escolhido uma das Odes de Ricardo Reis que mais gosto. Impressionante a profundidade do texto de Reis, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, quando nos leva a uma reflexão sobre a importância de ser livre, autêntico e verdadeiro. O texto nos mostra, em poucas palavras, a grandeza do ser humano e nos estimula a colocarmos toda a nossa vontade em tudo o que fizermos, buscando sempre "SER mais", ao invés de "ter mais". Obrigada pelos comentários, que nunca deixo de ler. As oportunidades de estar no computador, em função do novo trabalho, ainda têm sido poucas, mas devagar vou voltando. Penso que em certos momentos da vida a gente tem de eleger algumas prioridades, em função de determinadas circunstâncias. No momento ando sumida daqui e dos blogs amigos, não sem sentir saudades ou sem vontade de compartilhar com vocês as minhas bananices. Ainda no meio de toda esta mudança perdi um cunhado muito querido, que assim como a lua da imagem certamente está brilhando bem lá no alto. Talvez ele tenha sido uma das pessoas que eu conheci que mais tenha me mostrado o "sê todo em cada coisa". O post 200 é pra você, R., com todo o afeto que sempre envolveu a nossa ligação.
setembro 15, 2004
Tô morta...
... e com muitas saudades daqui. Ainda não tem dado tempo de navegar e elaborar um post legal, entretanto o coração está com vocês. O novo trabalho vai bem, mas por ser novo e desafiador não tem sobrado tempo pro blog. Mais um pouquinho e tudo volta ao normal. Como dizia Carlito Maia: "tem gente que vem ao mundo a passeio e gente que vem ao mundo a serviço". Desconfio que faço parte do segundo tipo de gente. Beijos e saudades de todos!
setembro 5, 2004
Os Sonhos Não Envelhecem No Player Flávio Venturini canta Clube da Esquina II, de Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges. Como são sensíveis e talentosos esses mineiros! Um trecho, particularmente, me chama a atenção: "Porque se chamava homem Também se chamavam sonhos E sonhos não envelhecem." E foi em busca de um sonho que nos últimos meses eu vinha tentando uma mudança de área, dentro da própria empresa onde trabalho. Um sonho em busca de novos desafios, perspectiva de crescimento e necessidade de reconhecimento. Não foi nada fácil, mas finalmente na quinta-feira eu tive a resposta positiva que tanto esperava. Faço questão de deixar registrado aqui a importância do blog numa fase tão difícil da minha vida profissional. Ele foi minha terapia, minha válvula de escape. Recentemente ainda comentei isso com a Jack. Muitas vezes cheguei em casa desanimada, angustiada, com vontade de largar tudo e desistir de quase 27 anos de trabalho, mas bastava ligar o computador e encontrar vocês nos comentários que o ânimo voltava. Bastava navegar pelos blogs amigos, ler coisas interessantes e eu era invadida por uma sensação de bem estar. Que maravilhosa ferramenta de comunicação! Impressionante como os blogs tiveram uma parcela enorme no meu equilíbrio emocional. E quando eu digo "blogs", é claro, eu me refiro a todos vocês. Em Novas Passagens, Gail Sheehy diz que os 45 anos de uma pessoa podem representar o desabrochar de uma segunda fase da vida adulta. E os homens e mulheres que se programarem de acordo com esta nova visão terão condições de dar às suas vidas um significado renovado, substituindo parâmetros ultrapassados. Hora de arregaçar as mangas e aprender coisas novas, já estou quatro anos atrasada :)) Provavelmente ficarei um pouco mais afastada dos blogs nas próximas semanas. Obrigada a todos e desculpem as ausências.
"Estou chegando da palestra desse senhor de 60 anos. Ah meu Deus! Que 60 nada, ele não tem idade! Depois que ele leu um capítulo do livro foi a vez das perguntas e eu fui a segunda. Perguntei se ele tinha alguém em mente quando escolheu o húngaro"... A resposta foi publicada aqui, no item Hungria. Roubei uma das fotos que ela me mandou e coloquei aqui, hehe. Controlem-se meninas. Colírio para vocês! ![]()
Atualização - 07/09/04 Banana engravatada, ou... Gravata embananada :))
Obrigada ao mestre Gravatá, pela citação do Banana&Etc no Caderno de Informática do Globo de segunda-feira. A coluna está copiada aqui e faz referência ao post publicado em homenagem a João Villaret. Quem quiser relembrar veja aqui. Beijão pra você, mestre!
setembro 3, 2004
Banana&Etc também é energia! Deu no jornal inglês "The Sun" que Gisele Bündchen e Leonardo Di Caprio não impressionaram índios na Amazônia. Disseram que Gisele "é tão magra que não conseguiria marido na aldeia". E Di Caprio "é tão magro que parece doente". (Ancelmo Goes - O Globo, 02/09/04) Pensando em ajudar a pobre Gisele, resolvi contratá-la como garota-propaganda do blog. Não saiu barato o cachê! Algumas bananas foram incluídas no pagamento pra ver se a moça ganha um pouquinho de peso e fica com formas mais interessantes ao gosto masculino. Será que os índios estão com a razão, meninos?
Primeiro foi a Solange, nos comentários do dia 26/08. Depois a Kel, no post anterior. Elas não me dão sossego :))) e já descobriram que os Australianos criaram um gerador de energia a banana. É verdade, confira aqui, ou aqui, a minha penca indo
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