Banana&Etc

março 29, 2004

Bloggers do B

Tudo começou quando o Cláudio Luiz sugeriu num comentário lá na Cora que fosse feita uma reportagem sobre os pequenos hospedeiros e prestadores de serviços para blogs. A Cora topou a parada e lá mesmo a matéria começou a ser feita: "Taí, acho que esta vai ser a primeira matéria produzida coletivamente via blog."

A reportagem completa, da competente jornalista Elis Monteiro, publicada no caderno de Informática do Globo de hoje, você pode ler clicando AQUI.

Parabéns a todos os hospedeiros de blogs citados. Parabéns ao Fábio, nosso querido "patrão", dono do Condomínio Blog Brasil. Estamos em festa, num clima de amizade e muito bom humor. Parabéns também ao nosso "síndico" Matusca, "lendário blogueiro" que não quis ser fotografado para não assustar as criancinhas :)))

Alô condomínio! Vamos fazer uma festa?




 Blogger do B

Em tempo Acabei de ler no mural do condomínio: o Diário de Pernambuco também fala no Blog Brasil.

março 26, 2004

All you need is love


Quando mudamos de casa, sempre compramos e renovamos alguns móveis ou objetos. Mas algumas peças a gente nunca tem coragem de abrir mão e elas nos acompanham por muito tempo. Esse lero lero é apenas uma forma de dizer que o post de hoje é mais um requentado, mas foi um dos que eu mais curti em fazer, então resolvi trazê-lo para a casa nova.

Betão, pra você, de "Hello Helô", diretamente de "Hey Judge".


JB, 5 de janeiro de 1971 Este Som Terminou

John Lennon lança um LP em que assume, musicalmente, a dissolução dos Beatles, Paul McCartney resolve enfrentar o problema na justiça. A dissolução dos Beatles - caso alguma dúvida ainda pairasse - começa o seu desfile final. Uma hegemonia que durou oito anos, e que para alguns críticos representa, melhor do que qualquer outro conjunto, o som da última década.

JB, 1º de junho de 1987 O Sargento Pimenta faz 20 anos

Hoje faz 20 anos que o sargento Pimenta ensinou a banda a tocar. Assim começa a música Sgt. Pepper's Lonely Heart's Club Band, que deu nome ao mais famoso disco do maior fenômeno do show-business de todos os tempos - os Beatles. Quatro rapazes, nem tão rebeldes como pareciam, e que ajudaram a consolidar o rock como linguagem internacional da juventude. Fizeram mais: consolidaram a própria juventude, que invadiu estradas, televisões em busca de um sonho, promovendo uma revolução moral e estética que ainda está longe de perder o impulso, apesar dos tempos bicudos da Aids. (Tárik de Souza)

JB, 18 de abril de 1990 A espera chega ao fim

Durante muitos anos, uma geração brasileira de beatlemaníacos sonhou com a possibilidade de assistir a uma apresentação de seus ídolos no Brasil. Isso nunca chegou a acontecer e não é mais possível que ocorra. Não só porque os Beatles se desfizeram como porque depois John Lennon foi assassinado. Mas parte desse sonho pode ser realizado amanhã e no sábado, quando Paul Mc Cartney estará se apresentando no estádio do Maracanã.


O livro

Let's Have a Dream Omaggio a John Lennon La Grafica La Musica La Poesia Palazzo delle Esposizioni Roma 27 ottobre 12 novembre 1990


"Shoot", sussurra John Lennon ao microfone, seguido simultaneamente pela guitarra de George Harrison e o baixo de Paul McCartney fazendo a ameaçadora onda de groove que é finalizada pelo chimbau milimétrico e o galope abafado de Ringo Starr. Escuto Come Together, em Abbey Road. Começo comentando o título do primeiro jornal citado. Este som não terminará nunca. A banda se separou, morreu John, morreu George, mas a música é eterna. Alguém duvida? Falar de Beatles mexe com sentimento, com lembranças da infância e da adolescência, me faz lembrar de pessoas que já se foram ou que nunca mais eu vi. A foto de Paul, colocada em cima do jornal, foi recortada de uma foto maior dos 4 garotos de Liverpool. Ganhei de uma garota da minha rua, que escrevia cartas e mais cartas para a Inglaterra pedindo fotos dos Beatles. Naquela época, ela adotou o sobrenome Harrison, tamanho era seu fanatismo por George. Provavelmente já se encontraram lá em cima.

O livro de John é genial. Conhecia alguns de seus desenhos, como o da capa, mas não sabia do livro. Peguei emprestado com meu irmão, na minha última viagem a São Paulo. Difícil escolher um para colocar aqui. Decido pela simplicidade do traço de Two is One.


Em 90, a grande emoção: assistir Paul in Rio, no Maracanã. Difícil descrever o que senti ao ouvir, na voz de Paul, Get Back, Penny Lane, Let it Be e muitas outras. O cartão-ingresso, que fica muito bem guardado em uma das minhas gavetas, foi chorado, suado, conseguido depois de muita insistência. Agora vejo a Cora dizer que chegou a hora de jogar fora a camiseta do show do Paul McCartney. Ô Cora, não jogue fora a camisa. Eu faço 50, 60, 70 anos, mas as recordações que tenho dos garotos jamais jogarei fora. Prefiro jogar o microondas.

Outras relíquias não entraram na foto, como as revistas Os Reis do Iê Iê Iê, um espelhinho, recortes e pôsteres. Carry that weight acaba de tocar. A próxima é The End. Hora de terminar.

... And in the end, The love you take Is equal to The love you make.

 Abbey Road

Escrito em agosto/2003.

*******

Atualização - 28/03/04

Nada como ter amigos bem informados.

O Edson K e a Sonja informam nos comentários que, no dia 26/03, vários músicos famosos (The Who, Rolling Stones, Pink Floyd e outros) elegeram os Beatles como a banda mais importante do Rock e a que mais influenciou os próprios músicos.

E o Betão nos brinda com um trecho de uma entrevista:

JOHN: Em Liverpool as pessoas não sabiam que éramos de Liverpool. Eles achavam que vínhamos de Hamburgo. Eles diziam "cara, vocês falam um inglês excelente'. Que nós falávamos, é claro, por sermos ingleses. Mas esta era a primeira vez em que nós éramos paparicados, sabe como é... PAUL: Este é o momento em que sentimos que estávamos... JOHN: …a caminho do topo. PAUL: …e que iríamos botar pra quebrar em Liverpool. P: Quanto vocês ganhavam nesta época? JOHN: Uns 20 dólares por noite. P: Cada um? JOHN: Não, pelo grupo todo... cara, nós chegamos a tocar por bem menos que isto! PAUL: Nós costumávamos tocar por três ou quatro dólares por noite. RINGO: Mais toda Coca-Cola que agüentássemos tomar. E nós tomávamos todas. P: Vocês se lembram do primeiro jornalista que veio vê-los e disse: "quero fazer uma matéria com vocês" RINGO: Nós olhamos pro cara e dissemos: "será que é com a gente?" JOHN: Nós é que os procurávamos e dizíamos: "nós somos um grupo que lançou seu primeiro disco. Vocês poderiam"… GEORGE: …e a porta batia na nossa cara.

Beijos pra vocês.

março 23, 2004

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara


Os cães sempre tiveram papel importante na vida e na obra do escritor José Saramago. Em Lanzarote, na casa onde mora com a mulher Pilar, Saramago cuida com carinho dos cães Pepe, Camões e Greta.

Visita a Lanzarote (por Miguel Sanches Neto)

Ao chegar à casa do romancista, encontrei o portão apenas encostado e não tive o menor receio de forçá-lo com uma liberdade que só um leitor poderia ter. Apenas um de seus cachorros, justamente o que atende por Camões, acolhido por Saramago no dia em que recebeu o prêmio de mesmo nome, veio me recepcionar, não com latidos, pois os cães da casa não têm a detestável função defensora, mas com um abanar de rabos que era o mesmo que estar dizendo "entre, o Zé estava mesmo aguardando a sua chegada". Antes de seguir ao encontro do autor, fiz algum carinho ao pêlo do Camões, que me agradeceu com uma lambida áspera.

Em Ensaio Sobre a Cegueira, o "Cão das Lágrimas" está sempre a enxugar as lágrimas de sofrimento da "Mulher do Médico". Mas é "Achado" o meu preferido.

Achado, o mais humano dos cães (em, A Caverna - pág 87)

Achado não teve ainda tempo de adquirir opiniões formadas, claras e definitivas sobre a necessidade e o significado das lágrimas no ser humano, no entanto, considerando que esses humores líquidos persistem em manifestar-se no estranho caldo de sentimento, razão e crueldade de que o dito ser humano é feito, pensou que talvez não fosse desacerto grave chegar-se à chorosa dona e pousar-lhe docemente a cabeça nos joelhos. Um cão mais idoso, e por essa razão, supondo que a idade está obrigada a suportar culpas duplicadas, mais cínico do que o cinismo que não pode evitar ter, comentaria com sarcasmo o afectuoso gesto, mas isso deveria ser porque o vazio da velhice o teria feito esquecer-se de que, em assuntos do coração e do sentir, sempre o demasiado foi melhor que o diminuído.

 Sympathy by Briton Riviere
março 21, 2004

Poesia

O Cláudio Luiz nos comentários...

"PAZ Mas hoje estou esperando o seu post do dia mundial da POESIA. Abraços poéticos."

Estão vendo? Blogueiros têm anjos da guarda, que nos ajudam e sopram nos nossos ouvidos datas que deixamos passar. Fiquei a tarde toda a pensar, mas qual poeta usar para homenagear tão significativo dia? Não gostaria de cometer uma injustiça. São tantos que gosto, homens, mulheres, brasileiros, portugueses, franceses, espanhóis... Que coisa difícil!

Enquanto isso, navegava em blogs amigos e daí surgiu a idéia. Há tanta poesia nos blogs que decidi trazer para cá um pedacinho de cada descoberta. Há novos e velhos amigos, gente que escreve com sensibilidade e que desperta, através das palavras, o sentimento do belo.

Reproduzo alguns trechos e deixo os links para vocês conhecê-los inteiros.

Conjuração - 19/03/04 Todas as estrelas e o firmamento Já sabiam tua conjuração Do ausente Sei que te ias Pois sempre foi póstumo O amor de linho que te dei. Cesar (Aldeia Nua)

Loucos somos nós - 10/04/04 A conversa girava em torno dos tipos peculiares que habitavam um tempo e lugar que não estão mais acessíveis. "Em busca do tempo perdido", não apenas as "madeleines" de Proust evocam a infância, a juventude e a terra natal. Também o perfume do pão-de-queijo assando consegue ser tão evocativo quanto seu sabor especial. Sérgio (Antes feio, o blog!)

A casa e o rio - 21/03/04 Uma noite ele veio... o rio. Foi sua primeira incursão pelas ruas de Casa Forte. Invadiu quase todas as casas, manchou, molhou, enlameou tudo até a altura de meio metro. Mas na nossa ele foi mais cruel. Fez saltar todo o parquet do piso, entortou os lambris de madeira do escritório... e levou o piano. Mas antes o fez bailar sobre a água... descolou cada tecla de marfim... arrepiou a madeira... enegreceu tudo. Acabou com meu sonho de artista, de famosa pianista...e eu nunca seria uma bailarina. Meu pai chorou...e nunca mais falou do assunto. Queria esquecer tamanha tragédia. Ou talvez, seu silêncio dissesse que nunca a esqueceria... Nora (Língua de Mariposa)

16/03/04 A alma fala sem pudor, sem medo... Saudades da alma Saudades dos tempos Coração, emoção e carne trilogia perfeita perfeição a flor da pele perfeição a flor da alma Simone (Intuição Feminina)

Transbordando - 25/02/04 Estou reinventando o nosso encontro: duas taças e o vinho tinto se desprendendo pelos poros, em tudo que nos prometemos. Por enquanto, carrego uma taça inapropriada e umas garrafas vazias, buscando de longe seus olhos verdes e tantos mistérios que a envolve... Quantos goles serão necessários para te encontrar? Falo da minha paixão, ninguém me fala de você... Por isso, estou refazendo os cálculos da distância que me une a ti - o mapa está aberto, estou centrado nesta linha norte-sul, tão sinuosa... É, vou adiando nosso encontro para um porto seguro. Não se preocupe querida: sei que estou no seu alvo e você está na minha mira! Marco (Interlóquio)


*******

O post de hoje homenageia mais dois integrantes que acabaram de chegar ao Blog Brasil.

Primeiro a minha querida Giniki, do Novesfora, poeta também das palavras, das linhas e das cores.

 Noves Fora


Depois o Moreno, do Senso Incomum, que só hoje eu fiquei conhecendo, mas já vi que é fera também, mais um poeta.

 Noves Fora

Sejam bem-vindos!

*******

Você viram o que anda acontecendo por aí? Não deixem de ler "Bruxas soltas na blogosfera" O Inagaki está contando tudo.

E não percam também o chat-entrevista com o "blogólogo" Gustavo Gomes. Segunda-feira, às 19:30h, a nossa querida Mônica será entrevistada no site abaixo.

março 20, 2004

Pela paz

Blogger Vigil Against the War

março 17, 2004

La poésie que j'aime

De vez em quando fico a mexer nos meus arquivos, que se avolumam ano a ano em bytes e afetos. Dias atrás achei Jacques Prévert, um dos meus poetas favoritos. Prévert foi letrista de canções interpretadas por Juliette Gréco e Yves Montand, roteirista de filmes dirigidos por Jean Renoir e Marcel Carné, mas é como poeta que ele se destaca.

"A obra prevertiana nasce da necessidade de se ir até o Outro e de criar uma realidade mais maravilhosa que surja das coisas ao mesmo tempo simples e secretas do cotidiano. Não é freqüente ver coabitar num mesmo indivíduo um poeta, um homem de cinema, um dramaturgo e um 'parolier' de canções em voga. Prévert, aquele que transforma em poesia tudo aquilo em que ele toca." (Eclair Antonio Almeida Filho - Mestre em Língua e Literatura Francesa - UFRJ e Doutorando em Literatura Francesa - USP).

Le chat et l'oiseau

04_03_chat.jpg

O gato e o pássaro

Uma cidade escuta desolada O canto de um pássaro ferido É o único pássaro da cidade E foi o único gato da cidade Que o devorou pela metade E o pássaro deixa de cantar O gato deixa de ronronar E de lamber o focinho E a cidade prepara para o pássaro Funerais maravilhosos E o gato que foi convidado Segue o caixãozinho de palha Em que deitado está o pássaro morto Levado por uma menina Que não para de chorar Se soubesse que você ia sofrer tanto Lhe diz o gato Teria comido ele todinho E depois teria te dito Que tinha visto ele voar Voar até o fim do mundo Lá onde o longe é tão longe Que de lá não se volta mais Você teria sofrido menos Só tristeza e saudades

É preciso nunca fazer as coisas pela metade.

Do livro: Poemas, de Jacques Prévert Seleção e Tradução de Silviano Santiago Edição Bilíngue Editora Nova Fronteira

*******

O post de hoje é dedicado à Kel, querida amiga que agora também é do Blog Brasil. Seja bem-vinda, Kel!

 Blog da Kel

*******

Atualização - 20/03/04

Belíssima colaboração da Esther, nos comentários. Não posso deixar que ninguém perca mais esse Prévert. Quem quiser ler o original, em francês, é só procurar nos comentários. Obrigada, querida.

Café da manhã

Ele pôs o café na xícara. Pôs leite na xícara de café. Pôs açúcar no café com leite. Mexeu com a colherinha o seu café. Bebeu o café com leite. Deixou a xícara em paz, sem dialogar. Acendeu um cigarro. Fez com a fumaça rodelinhas no ar. Pôs as cinzas no cinzeiro sem dialogar, sem me encarar. Ficou de pé. Ajeitou o chapéu na cabeça. Sob a capa-de-chuva, porque chovia, ele foi embora sem uma palavra, sem sequer me olhar. E eu, o que fiz? A cabeça entre as mãos, só fiz chorar.

março 14, 2004

Olho D'Água

E já passou, não quer passar E já choveu, não quer chegar E me lembrou qualquer lugar E me deixou, não sei que lá ... Pipo, cadê você? Dora, cadê você? Pablo, Lilia, cadê você?


O trecho é da música Olho D'Água, de Paulo Jobim e Ronaldo Bastos. Desde os acontecimentos em Madri ela não me sai da cabeça. Não sei explicar a razão dessa associação, talvez a interpretação pungente do Milton, o acompanhamento melancólico do cello de Jaques Morelembaum, as vozes infantis dos Canarinhos de Petrópolis... Não dá pra não dizer nada, não dá pra ficar calada diante de tamanha brutalidade e violência. Fiquei muito preocupada no dia, pois a Sonja, amiga querida que mora em Londres, tem uma filha que mora em Madri e eu custei a fazer contato com ela. Só nos falamos no dia seguinte e soube que a filha estava passando férias no Brasil. Mesmo assim a gente sabe que não está tudo bem, que a paz parece cada vez mais distante do mundo. Vejam o que escreveu a Sonja:

"Aqui também estamos esperando o pior. Eu trabalho em Victoria Station que é a mais movimentada estação de metrô e trem, de Londres. Mas esperamos que nada aconteça... O mundo está precisando de muita luz. O ser humano está fazendo coisas horrendas com os próprios semelhantes e isso quando a gente tem tanto recurso científico, internet e etc... Vamos esperar que possamos ter um mundo melhor."


Foto: www.terra.com.br


Mais tarde, por recomendação da amiga, fui visitar o blog de uma brasileira que mora em Madri. O blog da Nora chama-se Cicatrizes de Mirada. Lá encontro Garcia Lorca:

"Cerrei meu balcão Porque não quero ouvir o pranto, Mas por detrás dos muros cinzentos Não se ouve outra coisa que o pranto."

Abro os comentários e leio, comovida, o que escreveu Sérgio Borges, a quem peço desculpas pela cópia, mas o texto é lindo e eu não resisiti.

"A paz não mora mais em nosso planeta. Ela mudou-se para Marte, onde não existem seres humanos. De lá, ela contempla aquela bela estrela azul. E, com saudades de casa, chora. Lembra das crianças assasinadas com tiros na nuca, corpos explodindo em prédios e trens, balas perdidas que encontram morada em inocentes. Lembra das lágrimas que, de tantas, poderiam ressucitar a vida onde hoje ela mora. Sente as ondas de dor, que de tão grandes chegam à ela, imóvel em sua contemplação. A Paz chora, mas ainda não pensa em voltar. Está desesperançada. Precisamos escrever para ela. Dizer que ela é nescessária à vida. Que sem ela, caminhamos para uma inevitável extinção. Pedir, implorar para que ela volte, pois sem ela seremos monstros, feras insaciadas e ensandecidas. Precisamos fazer algo para que ela acredite que ainda resta um pingo de esperança nesse mar de dor e desespero. A paz é uma idealista e crente. Basta ela acreditar neste pequeno pingo, que ela volta. Vamos fazer um esforço."

Encerro agradecendo a todos pelas visitas, comentários, mensagens do Dia Internacional da Mulher e pelos votos de melhora. O computador voltou ontem e a gripe acabou, felizmente. Que a semana seja melhor e com um pouco mais de paz. Beijos a todos.

Ah! Hoje tem BOLO!


*******


Atualização - 16/03/04

Gente, esse post não seria nada sem as palavras e comentários de vocês. Que coisa bonita! Tenho chegado tarde do trabalho, mas amanhã faço novo post (espero).

Conforme prometi, de tempos em tempos trocarei o texto e imagem sobre Juiz de Fora e/ou região, na coluna esquerda. O que sai trago para o post, ficará registrado. Entra hoje o casarão onde funciona o Centro de Estudos Murilo Mendes, com um pequeno e reflexivo texto do poeta juizforano. Sai Pedro Nava e o Cine Theatro Central.

Beijos agradecidos, por tudo.




Eu sou um pobre homem do Caminho Novo das Minas dos Matos Gerais. Se não exatamente da picada de Garcia Rodrigues, ao menos da variante aberta pelo velho Halfeld e que na sua travessia pelo arraial do Paraibuna, tomou o nome de Rua Principal e ficou sendo depois a Rua Direita da Cidade do Juiz de Fora. (Pedro Nava - Baú de Ossos)

março 9, 2004

Querido diário

Mais um dia sem micro. O defeito, intermitente, não acontece na casa do técnico. Está lá já faz uma semana e funciona maravilhosamente bem. Suspeita-se agora que seja problema de "osmar". E já vou avisando, ganha uma banana quem disser que o problema está entre a cadeira e o teclado, ora pois. Vou buscá-lo amanhã e vamos ver o que acontece.

Os dias têm sido mais tristes sem meu PC, fiquei até doente, com gripe e dor de garganta. Minha caixa postal está lotada de e-mails e eu não quero nem ver quando tiver de baixá-los no Outlook. Ah, ontem eu assisti, pela primeira vez, meio capítulo de Celebridade. Não entendi nada, mas a Malu Mader continua belíssima! E aquela música de abertura? Uau! Love's Theme do Barry White! Haha, essa é do meu tempo.

Tem novidades! Mais dois moradores estão de mudança para o nosso condomínio. Ainda não deu pra ver direito quem são eles, mas o primeiro caminhão chegou com umas coisas estranhas. Numa das caixas havia um monte de fantasias de super-heróis, mas a que mais me chamou atenção foi a roupa de Batman, com umas asas enormes e pretas.

A outra mudança deve ser de alguma dona de buffet, tamanha a quantidade de panelas e acessórios de cozinha. Tinha até chaleira de vaca que apita! Hohoho. Curioso também que havia umas meias de homem, em cada caixa um pé e nenhum pé era da mesma cor. E uma quantidade de gente ajudando... uma mulherada feliz e falante que só vendo!

Mas eu adorei, o condomínio está ficando mais alegre e festivo e daqui alguns dias a gente já pode fazer um baile à fantasia. Taí, depois do baile blog, por que a gente não organiza um baile à fantasia pra animar a blogosfera?

Agora vou ali tomar um xarope pra tosse e já volto.

BEM-VINDOS FAL E BRUNO!

 Drops da Fal  Coluna Brasil


P.S. Caso você queira copiar ou repassar as Pérolas Processuais do post abaixo, não se esqueça de citar a fonte : http://www.espacovital.com.br/

março 7, 2004

Voltei

Quem disse que aguento ficar sem isso aqui? Ainda sem meu possante PC, trabalho no Lerdium 100 - sem memória, sem conexão via rádio, sem CD e sem meus arquivos implacáveis, mas já que estou sem sono resolvi arriscar. Se o post ficar sem uma parte não se assustem, a culpa é do micro. Sem responder comentários, continuo devendo 100 visitas e 100 e-mails, mas o que não pode é Banana ficar sem humor. 100 beijos de agradecimentos a todos vocês.

*******

Pérolas Processuais

"O sacado não foi encontrado porque morreu, porém a viúva continua com o negócio aberto". (De uma informação do carteiro, ao devolver título à Caixa Federal).

"Os movimentos dos cotos de amputação estão bastante comprometidos. A força prensora palmar inexiste e as pinças digitais não se concretizam com nenhum dedo, pois, infelizmente, perdeu todos." (De uma petição inicial, em ação acidentária, na comarca de Novo Hamburgo).

" xxx falecido em 08 de maio de 2003, conforme certidão de óbito em anexo, doravante denominado reclamante, por seu advogado signatário, vem perante Vossa Excelência ajuizar ação trabalhista..." (De uma petição inicial na Vara do Trabalho em Varginha-MG).

A professora de Ciências Políticas referindo-se aos acidentes geográficos é questionada por uma aluna: "Acidentes geográficos são os lugares onde caem aviões, ou onde há muitos acidentes de carro"?

"Isso constitui falácias flácidas para dormitar bovinos, que no linguajar popular significa : conversa mole para boi dormir". (Trecho de uma petição apresentada por banco, ao impugnar embargos do devedor, na 1ª Vara Cível de Santo Angelo/RS).

"Meu cliente levou um soco nos oios, uma garrafada nos cornos, um chute no saco e algumas pauladas na bunda". (Trecho literal de petição inicial, em ação de indenização, na 7ª Vara Cível de Porto Alegre, relativa a agressão sofrida por frequentador de boate).

"O devedor pode ser localizado na casa nº 242 da rua que fica aos fundos do cemitério, não precisando o oficial de Justiça alegar medo, como pretexto para não realizar a diligência, porque trata-se de rua despovoada de almas do outro mundo". (De uma petição, na comarca de São Jerônimo)

"O contestante nega ser o pai da criança, pois não chegou a 'cometer' a mãe do investigante. Mesmo tendo sido uma noite de orgias, com vários participantes, o investigado limitou-se a uma única cópula, com outra pessoa da roda, após o que ficou com o tiche murcho". (De uma contestação em ação de investigação de paternidade, numa Vara de Família em Porto Alegre)

"A empresa é responsável em casos de assaltos dentro de seus coletivos, pois deveriam ter câmeras acopladas a satélites para a segurança de passageiros." (De um voto vencido, em acórdão do TJRJ).

"Edital é uma forma de fazer uma pessoa saber o que ela não sabe, só que muitas vezes, porque não lê o jornal, ela não vai mesmo ficar sabendo". (Resposta em uma prova de Processo Civil, em Faculdade de Direito da Grande Porto Alegre).

"O réu jamais furtou-se ao recebimento da citação. Ocorre que reside em um local onde tem várias casas com o mesmo número, uma espécie de apartamento deitado". (De uma contestação, em processo na comarca de Pelotas, com o réu tentando explicar que não se escondera do oficial de Justiça).

"Bens móveis são aqueles que são fabricados nas marcenarias". (De um universitário, ao fazer a diferenciação entre bens móveis e bens imóveis, numa prova de Direito Civil).

"Já os bens imóveis são aqueles que não se movimentam, como um edifício, e também, por exemplo, um veículo que por estar sucateado não tem como ser removido". (Do mesmo universitário).

"A parte autora diz que no contrato de compra e venda estão presentes o sujeito e o objeto, mas não aponta onde estará o predicado". (De uma contestação em ação revisional).

"Ordem de vocação hereditária é quando o filho segue a mesma profissão do pai, ou seja, filho de peixe, peixinho é" – Candidato, em Exame da Ordem.

De uma petição de inventário em Sorocaba, SP: "O de cujus deixou uma decuja e 4 decujinhos..."

De depoimento na Delegacia de Acidentes: "O pedestre não tinha idéia para onde ir, então eu atropelei".

De uma certidão de oficial de Justiça: "Deixei de fazer a citação tendo em vista que o réu está em lua-de-mel e me respondeu por telefone que nos próximos dias não está nem aí..."

Certidão lançada por um oficial de Justiça, em Passo Fundo, após efetuar uma penhora: "penhorei uma mesa de comer velha de quatro pés"...

Informação de oficial de Justiça, não tendo encontrado o réu: "O mutuário foi para São Paulo melhorar de vida. Quando voltar, vai liquidar com o Banco".

Início de relatório de perito-avaliador: "Chegando na fazenda do sr. Pedro Jacaré e em não encontrando o réptil"...

De um termo de encerramento de laudo judicial, em processo que tramitou perante Vara Cível do foro João Mendes - SP : "Os anexos seguem em separado".

Descrição da penhora feita por um oficial de Justiça de Porto Alegre: "... um crucifixo, em madeira, estilo colonial, marca INRI - sem número de série..."

...Ó, o Rubinho chegou em 2º.

março 4, 2004

Desapareci, não é?

Mentira, quem sumiu foi meu PC e ainda não sei quando volta. O micro reserva vai disputar olimpíada com tartaruga e bicho preguiça. Às vezes não abre as imagens, tem dias que teima em não abrir comentários, outras vezes não abre neca de pitibiriba.

Mas eu juro que tô calma, principalmente depois do Lexotan. E não há mesmo muitos motivos para ficar nervosa. Uma hora dessas o Milton Nascimento tá cantando lá no Cine Theatro Central, que tem link aí na coluna esquerda, e eu tô aqui porque deixei pra comprar o ingresso na última hora. Ê banana... Tava esgotado.

Deixo um textinho legal que recebi pelo e-mail. Veio com o famoso "autor desconhecido", mas se alguém souber de quem é eu coloco o crédito. Prometo que volto, assim que meu micro voltar. Fico devendo visitas. Beijinhos pra todos.

**********

Não tem nada pior do que ser hipocondríaco num país que não tem remédio. Eu tomo um remédio para controlar a pressão. Cada dia que eu vou comprar o dito cujo, o preço aumenta. Controlar a pressão é mole. Quero ver é controlar o preção. Tô sofrendo de preção alto.

O médico mandou cortar o sal. Comecei cortando o médico, já que a consulta era salgada demais. Controlei também a alimentação. Como a única coisa que tenho comido, depois do Fome Zero, é minha patroa, não tem perigo: Ela é a coisinha mais sem sal deste lado do mundo.

Para piorar, acho que tô ficando meio esquizofrênico. Sério! Não sei mais o que é real. Principalmente quando abro a carteira ou pego extrato no banco. Não tem mais um real.

Sem falar na minha esclerose precoce. Comecei a esquecer as coisas: Sabe aquele carro? Esquece! Aquela viagem? Esquece! Tudo o que o barbudo prometeu? Esquece! Podem dizer que sou hipocondríaco, mas acho que tô igual ao meu time: nas últimas.

Bem, carioca é assim mesmo, já nem liga mais para bala perdida. Entra por um ouvido e sai pelo outro.

(autor desconhecido)