Banana&Etc

novembro 25, 2003
Volto já, são só 7 dias

Alguns esclarecimentos:

O Key e a Marelena sabiamente corrigiram o nome das bonecas russas, não é Babushka e sim Matrioshka.

Atualização (03/12/03): "Helô, corrigindo a correção: a boneca tanto se chama Babushka (vovozinha) quanto Matrioshka (mamãezinha), dependendo da região da Rússia. Valem ambas as denominações. Beijão." Valeu Nelson da Praia!


Lu, a Helicônia é um tipo de bananeira de jardim que dá flores belíssimas!

Betão, as formiguinhas da Helicônia moram no quintal da casa de meus pais.

Patolinus, obrigada pela dica do site das bananas, muito legal!

Nefer, iremos a Paris em 2005. Pode começar a planejar a viagem.

Áurea, a Helô que a Giniki homenageou no dia 19 é outra, mesmo assim obrigada.

Edson K, eu não fui ao jogo. Estive em BH, no casamento de um sobrinho querido. Mas você tem toda razão: como não gostar de um time que teve Garrincha?
Ouviu, Angela Scott :))


Obrigada a todos que comentaram nos últimos posts e que eu não consegui responder.

Alma
Angela Scott
Áurea Gouvea
Betão
Caipira
Claudia
Drica
Edmundo
Edson K
Fal
Giniki
Guto Galli
Inagaki
João Antonio
Kel
Key
Lilia
Lu
Luciana - NY
Márcio Kerbel
Marco
Marelena
Mariana
Matusca
Mels
Michele
Moça
Nelson da Praia
Neu
Panis
Patolinus
Roberto Magalhães
Ruth Mezeck
Shaina
Sonja
Tereza
Xpop

Tchau, pessoal!

Acho que vou aproveitar a sugestão do Blogger Man e comer uma farofinha por aí


...O que me preocupa, na real, é constatar que nunca os serviços do Blogger Brasil estiveram tão instáveis. Em outras palavras: uma fossa repleta de merda fumegante. (Inagaki)

novembro 23, 2003
Botafogo, orgulho do Rio no

Botafogo, orgulho do Rio no Brasileiro

Parabéns torcida alvinegra! O Glorioso está de volta à elite do futebol nacional!


João Moreira Salles


(...) "O Botafogo nunca será, nem deseja ser, um time de massa. Isso seria contrariar nossas crenças filosóficas, nosso espírito irredutível. Time de massa acredita que está certo. Time de massa tem certezas. Como escreveu Sergio Augusto no clássico sobre o Botafogo Entre o céu e o inferno [em dezembro nas livrarias], "torcer por time de massa é como só ler best-seller". Deus nos livre desse pesadelo. Nunca seremos o Sidney Sheldon. Somos mais refinados. Somos poucos, mas estamos em ótima companhia. Na história da literatura existe uma rica tradição de céticos, todos eles botafoguenses: Swift, Johnson, Juvenal, Machado de Assis. Reparem que todos são donos de um humor finíssimo, cáustico, desses que destroem os lugares-comuns e as certezas idiotas. Não existe sátira sem uma saudável dose de pessimismo. Sei que sorririam ao ver a primeira Barbie aterrissar no campo; desconfio que deixariam o estádio voando na primeira estrofe de "Ó, meu Mengão, eu gosto de você...". Nada mais sem graça do que o triunfalismo obstinado dos otimistas.

Parafraseando Tolstói, todo otimista torce igual, mas cada pessimista sofre à sua maneira. Somos sólidas individualidades. Enquanto todo flamenguista (ou corintiano, ou colorado, etc) é idêntico ao outro, não existem dois botafoguenses iguais. Na dor, uns rezam, outros lamentam, alguns sussurram, vários lançam Barbies, um joga muletas, outros formam metáforas complexas. Eu, por exemplo, fico de costas.

Na alegria... Bem, na alegria ficamos mais felizes do que o mais feliz dos homens, pois, sabiamente, aprendemos que alegria verdadeiramente imensa é aquela que se conquista com martírio". (...)

Leia o restante aqui, no mínimo

novembro 20, 2003
Paris Roubado descaradamente do Spark's

Paris

Roubado descaradamente do Spark's Café


Vista panorâmica de Paris. Vá rolando, rolando, rolando...


*****


Roberto, pode roubar as formiguinhas pra você :))



O Passeio das Formigas na Helicônia - 16/11/03 - Helô

novembro 17, 2003
Victrola

Futuros Amantes

Não se afobe, não Que nada é pra já O amor não tem pressa Ele pode esperar em silêncio Num fundo de armário Na posta-restante Milênios, milênios No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

A trilogia começou com a , continuou com "Os Pobres de Paris", que não parava de tocar na Electrola, e agora termina com a bela música de Chico Buarque (no momento ouvida aqui no computador). Achei que Futuros Amantes tem tudo a ver com o post de ontem. Ainda releio os comentários e quanto mais faço isto mais gosto de vocês, que vieram até aqui e entraram na dança.

Quando abri o e-mail, assim que cheguei do trabalho, o título de uma das mensagens era esse: Memories are made of this. Era um arquivo em mp3 com Os Pobres de Paris (Les Baxter, Coro e Orquestra). Outro trazia belíssimos versos da Lya Luft, escritora que eu tanto gosto. E assim vamos construindo nossos laços afetivos, alguns virtuais, outros reais. E assim aprendemos a amar cada vez mais as pessoas, que mesmo distantes se importam com a gente. Valeu, Sonja e Tereza.

Finalizo com trechos do comentário do Guto Galli, deixado no post anterior:

"...Eu, também, sou muito apegado às minhas "relíquias", coisas que fui guardando nesses 31 anos de vida. E já estrapolaram a gaveta. Tenho coisas que são "memórias afetivas", pela casa inteirinha. Talvez esse ser o fato de maior relevância de eu morar sozinho, na casa de meus pais, tudo era "socado" só no meu quarto. Além de coisas que fazem parte da minha história, tenhos coisaas de bisavós, avós, pais, tios, coisas que julgo importante para manter a história de nossa família e que as pessoas (pertencentes a ela), foram se desapegando. Tenho até um anexo (quarto no quintal), que tem algumas coisas. Tem gente que me chama de doido, outros me acham divertido, minha mãe torce o nariz e minha avó me acha meio 'lixeiro'. Eu não ligo, acho que tudo tem sua história, e que com o tempo, nosso cérebro não vai guardar tudo. Se tivermos referências que nos ajudem a lembrar, melhor. E se não existissem os museus?

...Tenho um velho banco de bar, que meu avô comprou em um leilão da Vera Cruz, que segundo reza a lenda, nele sentaram grandes nomes do cinema nacional como o Grande Otelo. Pode até não ser verdade, mas era do bar da Vera cruz e como todos comiam algo lá, e se sentavam... Mas, o que mais importa é que faz parte do folclore de nossa família, como o moedor de café de minha bisavó, que o trouxe da Itália em 1898 e que foi mudando de mãos até chegar as minhas há 2 anos. Iam jogar fora. porque interromper essa "corrente"?"

novembro 15, 2003
R$300,00

Abrindo as Gavetas

Trilhas sonoras de filmes de Fellini 3 CD's importados La Dolce Vita, Amarcord, Otto & Mezzo Autor: Nino Rota Preço: Beatles Anthology - 5 DVD's Preço: R$200,00

Bill Evans Trio - 8 CD's
Key Stone Korner (set/80)
Preço: R$520,00


Disco 78 rpm, Capitol
Lado A: Os Pobres de Paris (Marguerite Monnot)
Les Baxter, Coro e Orquestra
Estado: furo central alargado, bem arranhado
NÃO TEM PREÇO!

No carnaval de 1998, fiquei muito chocada com as imagens da queda do Palace II. Mortos, feridos e uma semana depois, em poucos segundos, o que restara daquele edifício veio abaixo. Famílias perderam tudo e o drama ainda maior foi dos que perderam parentes e amigos. É claro que nada substitui a perda de um ente querido ou de um bichinho de estimação, seja lá ele qual for.

Mas alguns depoimentos tocaram-me de forma especial, principalmente daquelas pessoas que embora não tivessem perdido parentes choravam a perda de outros bens afetivos. Um casal buscava, desesperadamente, entre os escombros, a fita da ultra-sonografia do primeiro filho. Fotos e filmes de aniversários, casamentos, formaturas, comemorações em família, eram declaradas pelos (ex) moradores do Palace II como perdas mais doloridas. As cenas mexeram com a minha sensibilidade e incomodaram-me por um bom tempo.

Passei alguns dias pensando: - o que seria de mim sem a última gaveta do armário do meu quarto? Nela estão guardados pedaços da minha vida, a minha memória, as minhas relíquias. E ai de quem for lá meter a mão! Sou capaz de mostrar logo o meu lado feroz, com dentes e garras bem afiadas. É lá onde guardo as lembranças de nascimento de cada sobrinho, fotos antigas, o bilhetinho da minha primeira professora de piano e as composições que fiz pra papai e mamãe, no primário. As cartas de amigos estão à esquerda do caderno de poesias do ginasial e dos rabiscos de infância, feitos ao lado da vovó enquanto ela costurava as minhas roupinhas. Os desenhos dos sobrinhos? Valem muito mais do que qualquer obra de arte. E ainda tem a coleção do "Fradim" do Henfil, o álbum de figurinhas do Snoopy, o retrato de Paul Mc Cartney, o pôster dos Beatles... mas onde foram parar Pedro e o Lobo e Alice no País das Maravilhas?

Ah, mas achei uma coisa de extraordinário valor: o disco com a música "Os Pobres se Paris". Alguém pode me dizer quanto vale? Não, ninguém precisa me responder. É de um valor inestimável a expressão feliz de papai ao lembrar-se que a música tinha o poder de fazer-me dançar sem parar, com menos de dois anos de idade. Este ninguém tasca! O furo central está bem alargado, está todo arranhado, mas ainda toca. Mesmo se não tocasse, este não tem preço!

Mas por que será que somos assim?
Que necessidade é esta de guardarmos tantas coisas?
Como estarão vivendo as pessoas do Palace II, sem os seus guardados afetivos?
Deixo as reflexões para os queridos amigos, com a figura de Salvador Dali.
Abram as suas "gavetas" e contem pra nós o que não gostariam jamais de perder.

Anthropomorphic Cabinet - 1936

Nestes guardados, se existem, algo tem que nos tocar, com sutileza e eternidade, como uma tatuagem na alma. E se essas senhas que nos despertam a emoção não existem, é que talvez o coração esteja preenchido apenas por espaços vazios. (A Arrumação - Cláudia Holanda)


******

Embora atrasada, não posso deixar de registrar o aniversário da minha querida amiga Angela, do blog Descaminhos, no dia 12/11. Ela merecia um post especial no dia do aniversário, mas durante a semana, que "graças a Deus" já passou, a banana aqui esteve mais enrolada do que bobina. Ainda bem que a Angela-querida-do-meu-coração sabe o quanto ela significa pra mim.

Outro aniversário que também perdi foi do Guto Galli, presença gentil e sempre carinhosa aqui nos comentários. Meu abraço atrasado pelo dia 11/11, Guto querido. Muita saúde e muita Porpeta! Beijo também pro Arthur.

O post de hoje é dedicado a vocês.

novembro 10, 2003
His Master's Voice From: Cacá

His Master's Voice

From: Cacá To: Helô Sent: Sunday, December 10, 2000 3:00 PM Subject: Vitrola

"A vitrola, sucedeu ao fonógrafo ou gramofone. De origem Victrola, por ser fabricada pela RCA Victor, dispunha de recursos elétricos, não sendo mais preciso dar-lhe corda para funcionar. Era, portanto, uma marca registrada que passou a denominar toda uma tecnologia de reprodução de som, assim como gilete ficou sendo o nome genérico das lâminas de barbear. Como os concorrentes não poderiam usar o nome Victrola, criaram o termo Electrola. Mais tarde, com o desenvolvimento da engenharia eletrônica, a eletrola foi desbancada pelos ''sistemas de som'' (toca-discos, ou picapes, acoplados a amplificadores) passando a ser considerada obsoleta e desprezível pelos audiófilos mais requintados, como o que aqui lhe fala.

Os discos de cera foram substituídos pelos de vinil, a qualidade de reprodução do som passou a chamar-se ''resposta'' e a ser medida em faixas amplas de freqüência e watts de potência, e os sistemas de alta fidelidade estereofônica (pré, amplificador, equalizador, picape de tração direta, cápsulas de cerâmica e magnéticas, agulhas cônicas ou elípticas, alto-falantes bass-reflex, tweeters, etc.), passaram a ter desenvolvimento tecnológico de produção em laboratório só comparável ao que hoje acontece na indústria automobilística. A parafernália sonora chegava a tal ponto que, uma ocasião, extraí de uma das incontáveis revistas especializadas, o sistema dos meus sonhos, as melhores caixas, os melhores amplificadores, gravadores, picapes, etc. Tudo junto somou cerca de US$ 250.000.

Havia também um ritual no processo de se ouvir música. O audiófilo era como um gourmet auditivo , buscava sempre saborear os finos sons produzidos pelos sistemas mais sofisticados nos ambientes mais adequados. Assim como o gourmet procura alcançar o êxtase através da degustação de iguarias variadas em restaurantes de finos pratos, o audiófilo buscava o nirvana através da reprodução fiel, via eletrônica, dos sons dos instrumentos ao vivo em ambientes acusticamente apropriados.Havia um risco, sim, na audiofilia. Era o de o audiófilo dedicar-se ao som pelo som, esquecendo o mais importante: a música. Essa distorção ocorria com alguma freqüência: pessoas que queriam ouvir ''aquele som'', fosse um apito, fosse o ruído de uma pilha de pratos se esfacelando. Mas é o mesmo risco que corre o gourmet: o de em nome do sabor tornar-se um mero deglutidor.

Hoje a prática da audiofilia está morta. Com o advento do transistor e a miniaturização dos componentes eletrônicos permitindo que circuitos enormes fossem inseridos em placas mínimas e baratas, os sistemas de som e seus adeptos foram enterrados. A era digital então deu o coup de grâce na audiofilia. Em qualquer loja de eletrodomésticos ou camelô de esquina pode-se comprar, por preços incrivelmente baixos, equipamentos sonoros capazes de nos estourar os tímpanos e com uma ''resposta de freqüência'' equivalente aos mais caros equipamentos d'antanho.
Por ora quedo-me aqui. O escriba é demasiado pequeno para tema por demais vasto. Não vou cansá-la com memórias insípidas e inaudíveis.
Beijos sonoros"

Pescado diretamente dos meus "Arquivos Implacáveis"
Os links, por mim acrescidos, são belíssimos!

novembro 9, 2003
Bananices & Etc

Minha querida Lu, do Solo Mio, criou o Gurizada, um blog muito legal! A intenção é que todos os blogueiros, blogueiras e quem mais chegar, coloquem suas fotos de infância. Negócio é o seguinte, vamos mexer nas gavetas, nos arquivos, debaixo do colchão e pegar uma foto bem legal. Quem não tiver scanner arranja um emprestado. Depois é só seguir as instruções lá no Gurizada e postar. Quem preferir pode mandar a foto pro e-mail da Lu, clicando aqui. A Banana já está lá em duas versões - caipira e bailarina. Agora ninguém mais pode falar que não me conhece por foto :)) ... E a gente canta E a gente dança E a gente não se cansa De ser criança Da gente brincar Da nossa velha infância (Velha Infância - Tribalistas)



Eu sugeri ao Patolinus, nos comentários do post das Bonecas Russas, as Babushkas, que fizesse um desenho das Batatabuskas. E não é que o danado fez?



Muito criativo o Gatolinus (hein, Li?).
Vejam os desenhos que ele usa para os links de Arquivo e E-mail. Uma graça!
Tem muito mais, passa pra conferir.

   



A Li Stoductto fez um post maravilhoso homenageando o centenário de Ary Barroso. Você ainda escuta Aquarela do Brasil cantada por João Gilberto, Caetano e Gil. Vou colar só um trechinho pra vocês constatarem a importância que teve o Ary para o nosso tão desmemoriado Brasil.

Para se ter uma idéia de quem foi ele, quando se vai em busca de informações sobre Ary nos sites de busca, encontramos uma infinidade de sites não brasileiros que o têm na conta de um dos "gigantes da música brasileira" e tido como um dos primeiros grandes nomes da "brazilian music". Uma pena que talvez uma grande parte de uma nova geração de brasileiros desconheça isto...

Mas ainda não acabou, a mesma Li, mais uma vez, flagrou a Banana praticando esporte radical. Um perigo essa menina! Vou chamá-la de Li Paparazzo. Tutto buona gente!

Bom Domingo!

novembro 8, 2003
Hoje é dia de cozinhar

Hoje é dia de cozinhar


À mesa não pode faltar
Uma comida cheirosa
Seja de qualquer lugar
Desde que seja gostosa

Rigatoni, fettuccine
Sempre com manjericão
Ravioli, tagliarini
Como é bom o macarrão

Feijão preto e fradinho
Branco, verde, mulatinho
Que delícia com lombinho
Tem que ser temperadinho

Pasteizinhos de siri
Cogumelos e kani
Sopas, cremes e saladas
Sou vidrada num sushi

Aprecio alho-poró
Caldo verde e mocotó
Angu, couve e jiló
Sei fazer até bobó

Bacalhau e camarão
Aipim, chuchu, jabá
E rabada com agrião?
Gostosura igual não há

Belas lulas e sardinhas
Ensopadas ou fritinhas
Amo frango com quiabo
Só não quero comer nabo

E a paella e a caldeirada
O torresmo e a feijoada
Esqueci-me da buchada
Como viram, sou ousada

Fiz os versos sem pensar
Corrigir ou pontuar
Quero mesmo é falar
Como eu amo cozinhar

Escrito por Helô, em novembro de 2000

novembro 6, 2003
Humpf

When you need someone to cheer you ...

ou... como ficar irritada em poucos minutos.

Quem liga para uma central de atendimento ao cliente sabe o quanto é irritante ser mal atendido e ficar escutando propaganda da empresa, ou musiquinha, um tempão. Sem contar que, às vezes, sua chamada é transferida para outro operador e ele pergunta tudo de novo a você. Então vamos lá:

Ligação para uma central de atendimento ao cliente, da empresa X:

tin tin ton ton tin ton tin tin tin

chama... chama... chama... chama... ops!

Para falar com o serviço de crédito, tecle 1
Para consultar seu pedido, tecle 2
Para saber se tua vó tá na esquina, tecle 3
Para falar com um de nossos atendentes, tecle 4 e aguarde.

4 e aguardo...

Atendeu ELA! A máquina!

Sua ligação é muito importante para nós. No momento todos os nossos atendentes estão ocupados. Aguarde que já lhe atenderemos.

Entrou a musiquinha...

When somebody loves you
it's no good unless he loves you
all the way
happy to be near you
when you need someone to cheer you
all the way

Um momento, senhora

taller than the tallest tree is
that's how it's got to feel
deeper than the deep blue sea is
that's how it goes - if it's real

...

- ServiçodeatendimentoaoclienteFabianafalandobomdiaemquepossoatendêlasenhora?
(Assim mesmo, em menos de meio segundo ela disse tudo isso, sem respirar)

- Pois não, senhora
- Qual a data da sua compra, senhora
- Qual o número do seu pedido, senhora
- Aguarde um momento, senhora
- Confirme os seus dados, senhora
- Senhora, no momento todos os nossos sistemas estão fora do ar

(ela tem de falar que o sistema está fora do ar porque ainda não sabe como resolver seu problema)
- Deixe o seu número que nós vamos estar retornando mais tarde, senhora
(a danada ainda usa o gerúndio assassino, só pra me irritar)
- A "empresa X" agradece a sua ligação e deseja-lhe um bom dia, senhora.

BOM DIA?!
Droga! Não bastasse a irritação de não ter o problema resolvido ainda tenho de ouvir 400 vezes ela me chamar de senhora?!
Me chama de minha nega, de banana, de qualquer outra coisa, menos de senhorasenhorasenhorasenhora.
Já imaginaram como seria mais agradável ouvir:

- Bom dia, meu chuchuzinho, já tomou seu café, queridinha?
- Minha nega, te ligo mais tarde.
- Tudo bem, bananinha?
- Fala, mineirinha!

Pro diabo com o excesso de formalidade, pura decoreba, receita de bolo, falta de criatividade, de calor humano.

Té manhã.
(é assim?)

novembro 4, 2003
Bonecas Russas

Rachel de Queiroz
17-11-1910
04-11-2003



Não me lembro como se chamam as tais bonecas folclóricas russas: sei que são ocas e abre-se a boneca maior e dentro dela há uma menor, e dentro dessa, outra menor ainda, e depois outra e mais outra, até chegar à última, que é uma simples miniatura de boneca. No mesmo gênero, também, é aquele conto de fadas: "lá no mar tem uma ilha, dentro da ilha tem um castelo, dentro do castelo tem uma torre, dentro da torre tem um quarto, dentro do quarto tem uma arca, dentro da arca tem uma caixa, dentro da caixa tem um cofre, dentro do cofre tem um frasco, dentro do frasco tem uma pomba, dentro da pomba tem um ovo, dentro do ovo tem uma chave e é essa chave que abre a porta da prisão onde está a princesa encantada."

Pois a gente também é assim. A princípio eu pensava que, com a passagem das diferentes idades do homem, o maior ia substituindo o menor, quero dizer, o menino ficava no lugar do neném, o adolescente no do menino, o moço no do adolescente, o homem feito no do moço, o de meia-idade no do homem feito, o velho no lugar do de meia-idade e por fim o defunto no lugar de todos. Mas depois descobri que os indivíduos passados não desaparecem, se incorporam, ou, antes, o indivíduo novo incorpora os superados como se os devorasse, e uns vão ficando dentro dos outros, tal como as bonecas russas do começo da história.

E, assim, dentro de cada um de nós, a gente procurando sempre encontra os perfis superpostos, encartados um por dentro do outro, sem se misturarem. É só saber como esgaravatar e você descobrirá fácil no sentencioso senhor de cinqüenta anos o inseguro pai de família principiante que ele foi aos trinta anos ou o belo atleta descuidado que foi aos dezoito. Ali está cada um, aparentemente esquecido mas incólume. E estanques todos. Porque um não penetra no outro e aparentemente um não tem o mínimo em comum com o outro; nem sequer um influi no outro - as mais das vezes são antípodas e adversários.

Faça uma experiência: pegue um livro, uma foto, reveja um filme, encontre alguém, qualquer desses serve, contanto se refira especificamente a determinado tempo da sua vida. E então magicamente se suscita aquele instante perdido do passado, com uma força de momento atual. Espantado, você se indaga: então esse fui eu, era eu? Que tem em comum com o você de hoje, aquele estranho que subitamente acordou ao apelo do seu nome, debaixo da sua pele? Terá em comum só mesmo o nome e a pele, porque o resto, no corpo e na alma, tudo é outro. Deformado ou gasto, mas sempre diferente. Você é outro, outro. E quase não acredita ter sido você também aquele rapaz desvairado, ou sonso, ou bobo e terrivelmente inexperiente que de súbito emergiu de dentro dos seus ossos e das suas velhas lembranças.

Em sua avó venerável você também pode descobrir a rapariga inconseqüente que ela foi um dia, e no seu severo confessor de hoje o seminarista em crise religiosa de trinta anos atrás. É só saber procurar.

A gente diz disso: "águas passadas." Mas talvez seja melhor dizer águas represadas, águas recalcadas. Porque basta bater na pedra, a fonte emerge, o que não aconteceria se as águas fossem passadas realmente.

Recebi pelo e-mail, da minha querida amiga Sonja.
Publicado no Estado de São Paulo, em 23/09/2000

novembro 3, 2003
Ele voltou!

novembro 2, 2003
Quem não se comunica, se

Quem não se comunica, se trumbica!


Alô, Alô, dona Raimunda, como vaaaaaaai, vai bem?

Terezinha, uuuuuhhh!

Eu vim para confundir e não para explicar

Você sabia?
Quando o bacalhau encalhou nas Casas da Banha, seu patrocinador na TV Tupi, Chacrinha arrumou um jeito de reverter a situação. Durante o programa, virava-se para o auditório: "Vocês querem bacalhau?" A platéia disputava a tapa o produto. As vendas explodiram e ele explicou: "Brasileiro adora ganhar um presentinho."

- Vocês querem bacalhaaaau?

Quereeeeeemos!


- Vocês querem post repetido?

Nããããããããão!


Mas como eu dormi boa parte do dia, aqui vai mais um requentado...


Eis aqui minha caligrafia
Muito pior do que já foi um dia
Resultado de só digitar
Endureceu o indicador
O dedo médio, o polegar

Que venham os grafólogos!
Os analistas, os psicólogos
Tirem-me desse tormento
Revelem o meu temperamento

Observem as torções
O tamanho, as inclinações
Façam suas interpretações
Tirem suas conclusões

Digam até a minha idade
Revelem os traços
As características
Da minha discreta personalidade

Nada tenho a esconder
O que temer, o que perder
Minha letra, minha alma
Minha alma, minha palma.


Escrito por Helô. 28/06/03

novembro 1, 2003
Eu sonho com blog

Sonhos


E você?