Banana&Etc

outubro 30, 2003
Iosif Landau Domingo, Abril 20,

Iosif Landau

Domingo, Abril 20, 2003

... fumei um cigarro, paguei, deixei bela gorjeta, sou um convicto gorjeteiro, por isso muito querido e pouco respeitado, mas isso não vem ao caso, gosto não se discute, dez minutos mais tarde estou no quarto com ar condicionado planejando meu próximo resfriado, escrevi umas duas besteiras no computer, deletei quinze mails pornô, li uns textos da lista, um bom, um legal, outros mais ou menos, mas quem liga para minha opinião, nem eu mesmo ligo, baixei uns sons do Kazaaa, Coltrane, Chet Baker, Miles Davis e Charlie Parker e o mestre Brubeck, depois de um cochilo, em torno das quatro da tarde enfiei bermuda e camisa pólo, um Mr Cat no pé, peguei um táxi, aportei na Modern Sound, o mega store de som, a catedral de CD, DVD, e outros parangolés do mesmo gênero, peguei uma mesa no bar, Allergro Bistrô, pedi chope e carpaccio de salmão, salada verde, almoço e jantar, beleza pura, e...



Ted Treleaven


e...

O Poeta convida para o lançamento de seu livro "EU VI".
Será no dia 11/11/2003, às 18 horas, no Clube Caiçaras.
Av. Epitácio Pessoa, s/n, em frente ao Jardim de Alah
Lagoa - Rio de Janeiro


Agora clique aqui e aproveite a voz suave e o belo trompete de Chet.

outubro 28, 2003

Pedro Nava

A cozinha mineira, pouco abundante nos pratos de sal, que ficam nas variações em torno do porco, do toucinho, da couve, do feijão, do fubá e da farinha - é de uma riqueza extraordinária em matéria de sobrepastos. Hoje tudo mudou e minguou. Mas lembro-me bem da mesa de minha avó materna, em Juiz de Fora, onde a Inhá Luísa, da cabeceira, podia olhar a ponta dos meninos e das compoteiras, de que havia, ao jantar, umas quatro ou cinco repletas de doce. Menos, era penúria.

E que doces... Os de coco e todas as variedades, como a cocada preta e a cocada branca, a cocada ralada ou em fita, a açucarada no tacho, a seca ao sol. Baba-de-moça, quindim, pudim de coco. Compota de goiaba branca ou vermelha, como orelhas em calda. De pêssego maduro ou verde cujo caroço era como um espadarte no céu-da-boca. De abacaxi, cor de ouro; de figo, cor de musgo; de banana, cor de granada; de laranja, de cidra, de jaca, de ameixa, de marmelo, de manga, de cajá-mirim, jenipapo, turanja. De carambola, derramando estrelas nos pratos. De mamão maduro, de mamão verde - cortado em tiras ou passado na raspa. Tudo isto podia apresentar-se cristalizado - seco por fora, macio por dentro e tendo um núcleo de açúcar quase líquido.

Mais. Abóbora, batata roxa, batata doce em pasta vidrada ou pasta seca. Calda grossa de jamelão, amora, framboesa, araçá, abricó, pequiá, jaboticaba. Canjica de milho-verde tremendo como seio de moça e geléia de mocotó rebolando como bunda de negra. Mocotó batido, em espuma que se solidifica - para comer frio. Pamonha na palha - para comer quente, queimando os dedos. Melado. Tudo isto variando de casa para casa, segundo os segredos de suas donas e as invenções de suas negras - se desdobrando em outros pratos, se multiplicando em novos. Dos aristocráticos, com receitas pedindo logo de saída trinta e seis gemas, aos populares, como o cuscuz (só fubá, só açúcar, só vapor d'água e tempo certo) e como a "plasta" de São João del Rei (só fubá, só rapadura, só amendoim e ponto exato) - que tem esse nome pelo seu aspecto de bosta de boi, do emplastro que forma no tabuleiro quando cai da colher de pau.

E a abóbora da noite de São João? Era aberta por cima, esvaziada dos fiapos e caroços, cheia de rapadura partida, novamente tampada, embrulhada em folhas de bananeira e enterrada a dois palmos de fundo, debaixo das grandes fogueiras. Aí ficava duas, três horas e quando saía dessa moqueada, tinha cheiro de cana queimada e gosto ainda mais profundo que o das castanhas. Comia-se no fim das festas de junho bebendo crambambali e cantando até cair ao pé das brasas que morriam. O crambambali é bebida sagrada - um quentão legitimamente centro de Minas. A receita? Uma travessa cheia de pinga, rodelas de limão, lascas de canela e rapadura. Toca-se fogo na cachaça e deixa-se esquentar bastante. Apagar, coar e servir em canequinhas de gomo de bambu.

Pedro Nava, em "Baú de Ossos"



Salvaterra - Coisas da Roça. Trevo Sul, BR 040 - Juiz de Fora/MG

Juiz de Fora é terra natal de Pedro Nava e está inserida em sua obra de uma forma muito especial. O texto colocado no post de hoje, embora seja do livro Baú de Ossos, foi copiado de um blog já faz muito tempo. Cometi a indelicadeza, na época, de não anotar a fonte, mas caso apareça quem garimpou a beleza é só avisar que eu cito. Concordo com Nava, quando diz que a mesa mineira é repleta de doces. Minha avó enviuvou-se muito nova e foi como doceira que sustentou a família. Fazia cocadas de fita como eu nunca vi igual, em beleza e sabor.

As fotos são de minha autoria. O Salvaterra é parada obrigatória para quem chega a Juiz de Fora, vindo do Rio. É uma área grande que tem restaurante, lanchonete, cachaçaria, bar e café. Tem também a lojinha com bolos, biscoitos, queijos, linguiças, muito artesanato de Minas e boa parte dos doces citados por Nava. No dia da foto comi um delicioso doce de batata roxa, tão bom quanto o da minha mãe. Quem passar por aqui, não pode perder.

Salvaterra - Coisas da Roça. Trevo Sul, BR 040 - Juiz de Fora/MG

Minas são muitas (Guimarães Rosa)

outubro 26, 2003
Superstição Você é supersticioso? Eu

Superstição


Você é supersticioso?

Eu não (toc, toc, toc)


- Dá azar abotoar uma peça de roupa de forma errada. É uma péssima previsão

- Deixar cair faca é briga, garfo é visita, colher é visita de mulher

- Colocar bolsa no chão faz o dinheiro acabar

- O cabelo não cresce mais, se cortado na Sexta-feira Santa

- Vassoura atrás da porta espanta visitas

- Dá sorte vestir algo pelo avesso, desde que isso ocorra por total distração

- Comer manga com leite faz mal

- Mulher que tem o segundo dedo do pé maior que o primeiro, manda no marido

- Quem passa debaixo do arco-íris vira mula-sem-cabeça

- Cruzar com gato preto na rua dá azar

- Deve-se entrar numa casa com pé direito para ter felicidade

- Derrubar um copo d'água sobre a mesa dá sorte

- Tomar água de chuva dá papo

- Mulher casada que tomar café em xícara sem pires ficará viúva

- Dá azar dormir com meias, faz a pessoa ficar vesga

- A pessoa que é pulada não cresce mais

- Passar debaixo da escada é má sorte

- Quebrar um espelho, dá sete anos de azar

- Dá má sorte entrar em uma casa, pela primeira vez, pela porta dos fundos

- Sapato virado com a sola para cima chama azar


Conhece mais alguma?

outubro 25, 2003
Fim de semana muito que

Fim de semana

muito que andar por aí muito que viver por aí muito que aprender por aí muito que aprontar por aí.

Saudades de Gonzaguinha


Vou dar umas voadas...


Brinquedos Raros (clique na figura para ver que raridade)

outubro 22, 2003
Atualização - 24/10/2003

Matusalém Matusca
(Tem atualização)


Tudo começou no final do ano passado, quando eu descobri, no blog da Cora, alguns gifs divertidos e criativos. O nome do autor estava lá: Matusca. Fui correndo visitar seu blog, o famoso sarcófago do seu Matusalém. Pena, pouco tempo antes do Natal ele fechou pra balanço. Continuei as minhas navegações pelo universo dos blogs, até que um dia vi alguém iniciar a campanha "Volta Matusca!".

O tempo foi passando e no dia 1º de fevereiro de 2003 ele voltou. Eu me divertia muito lendo aquelas matusquelices, até que num dia de março tomei coragem e fui dar pitaco nos comentários, sistema também conhecido como "abutre soluçante". O post do dia falava de um concurso para descobrir a garotinha da foto, fantasiada de Cleópatra. Eu sabia quem era, pois já frequentava o Postal e a foto era da Cris Carriconde. Fui muito bem recebida pela múmia e depois disso, nunca mais deixei de comentar naquele cafofo virtual. Além do mais, foi lá que eu realmente ganhei força e incentivo para fazer o meu blog. Foi lá que eu conheci pessoas do bem, gente alegre, inteligente, carinhosa e divertida.

Adorado por suas odaliscas e invejado por alguns cuecas, Matusca é hoje um dos meus melhores amigos, um cara que sempre soube exatamente onde fica a linha limítrofe entre a brincadeira e o desrespeito, entre o bom gosto e a baixaria, uma pessoa que sempre incentivou blogs menos conhecidos ou pouco divulgados e não permite que ninguém os chame de "blogs menores". Querem ver um dos motivos de tanto carisma? Então cliquem aqui, no MatuMatu Produções. Vocês, caros blogueiros, que sabem muitíssimo bem o trabalho que dá reduzir uma imagem ou fazer links num post, podem então avaliar o valor dos famosos Botões do Matu.

- Matu, eu sei que faltam poucos dias para o seu aniversário, mas sei também que você vai viajar e curtir merecidas férias com sua Matusalinda. Não podia deixar passar em branco, por esta razão fiz a imagem que, mesmo sem animação, já demonstra o seu talento e humor. Seja muito feliz, meu amigo, e que você não demore tanto a voltar. O blogverso está novamente mais triste e mais pobre com a sua ausência. Muitos beijos da sua amiga bananalisca.


"Se algum dia, vou conhecer pessoalmente os amigos que fiz na rede, não sei. O que posso garantir é que a partir de hoje, ninguém é mais meu amigo virtual - isso aqui não é cinema nem videogame. Todos são reais. E o que é melhor: gosto deles." (Matusalém Matusca - 19/03/2003)


*****


Parabéns, Matusca!


Agora vejam a responsa aumentando...

O resultado apareceu à tarde...


Agora à noite, o placar TopLinks estava assim:

1 - O livro do Dennis, do Caderno Mágico
2 - Banana&Etc
3 - Matusalém Matusca (com mais outros sites)


Ganhei também alguns preciosos links

1 - Carta Aberta, do Cesar Valente
2 - WetliP, do Fábio
3 - Patrimônio, do Luiz Patriota
4 - Engenho e Arte, da Annabel Lee

Obrigada, pessoal!


Ah, tem mais notícia boa...

Ela voltou!!!

outubro 20, 2003
Betão

Viagem ao Coração de Minas


"A certeza de ser guardiã temporária desses objetos de fé norteou-me na tarefa de criar o Museu do Oratório e entregá-lo ao patrimônio público de meu País. Ser mineira é fato que também explica meu fascínio pelo universo do mágico e do sagrado. Minas é o Estado por excelência da necessidade da arte, da mentalidade religiosa, da reflexão constante e inesgotável sobre suas raízes, território propício ao cultivo de todas as expressões do espírito. Espero que os oratórios levem aos mineiros, nessa grande viagem, um convite à redescoberta de nossa história e um apelo à preservação de um patrimônio cultural que pertence a todos."

Angela Gutierrez
Presidente do Instituto Cultural Flávio Gutierrez.



Arte, fé e história

"As manifestações culturais da humanidade deram origem, desde os tempos mais remotos, a variados objetos devocionais ligados à transcendência. Os antigos romanos guardavam, em pequenos nichos, as imagens dos deuses lares. Neles os cristãos passaram a cultuar o Cristo e a Virgem, bem como a memória dos mártires, logo proclamados santos. As primeiras caravelas portuguesas trouxeram oratórios que se multiplicaram ao sabor dos estilos da época e do toque de mestres de madeira e de pedra. Os bandeirantes tinham oratórios juntos aos quais renderam graças pela descoberta do ouro no coração do Brasil. Em busca de proteção espiritual, europeus, indígenas e africanos fizeram do oratório a primeira morada de sua fé, nele acolhendo, também, o brilho da arte e a força da história dos brasileiros."


Tive o privilégio de visitar duas vezes a exposição "Oratórios - roteiro de fé e arte", no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, no início de Agosto deste ano. Foi a primeira vez que o precioso acervo do Museu do Oratório percorreu algumas cidades de Minas, proporcionando muita emoção a milhares de pessoas que visitaram a mostra. Apaixonada pela arte, Angela Gutierrez além de presentear Minas Gerais com sua coleção de oratórios, criando o Museu, em Ouro Preto, doou 2 mil peças de uma coleção de arte do século 17 para o Estado. Angela merece o nosso reconhecimento, pela dedicação à preservação da arte e da memória brasileira.

Faço um agradecimento especial a FUNALFA, que gentilmente me permitiu fotografar a exposição. Dedico o post ao amigo Fernando Cals, que algumas vezes mostrou, no Observador, os oratórios confeccionados pela sua querida Verinha.


*****

Deixo um pequeno texto do livro "Saber Cuidar", de Leonardo Boff. É para o Nelson da Praia, pro e pro Ina e eles entenderão o porquê:

Construímos o mundo a partir de laços afetivos. Esses laços tornam as pessoas e as situações preciosas, portadoras de valor. Preocupamo-nos com elas. Tomamos tempo para dedicar-nos a elas. Sentimos responsabilidade pelo laço que cresceu entre nós e os outros. A categoria cuidado recolhe todo esse modo de ser.
...
É o sentimento que torna pessoas, coisas e situações importantes para nós. Esse sentimento profundo, repetimos, se chama cuidado. Somente aquilo que passou por uma emoção, que evocou um sentimento profundo e provocou cuidado em nós, deixa marcas indeléveis e permanece definitivamente.


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Atualização - 21/10/03


O senhor...
Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não
estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre
mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou.
Isso que me alegra, montão.

João Guimarães Rosa

Desta 1ª edição de Grande Sertão: Veredas
foram tirados, fora do comércio, vinte exemplares, em papel Bíblia, assinados pelo autor.
Livraria José Olympio Editora. Rio de Janeiro - 1956

outubro 18, 2003
Conhecendo o Rio a pé: Aspectos Arquitetônicos e Urbanos da Cidade

Porque hoje é sábado

Há um renovar-se de esperanças Porque hoje é sábado. ...

e amanhã é Domingo, dia dos 90 anos de nascimento de Vinicius de Moraes


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O Antônio Agenor, do Levanta Rio, vai ministrar este curso de extensão universitária e pede pra gente divulgar. Se eu morasse no Rio já teria garantido minha matrícula. Mas vamos aos detalhes:

Data de início: 11/11/2003 (terça-feira) às 13:30 horas
Professor: Antônio Agenor de Melo Barbosa - Arquiteto/Urbanista e Prof. de Evolução Urbana do Rio
Público-alvo: Qualquer pessoa interessada em conhecer a história urbana e arquitetônica da cidade.
Carga horária: 25 horas/aula (15 horas em sala de aula e 10 horas em visita de campo no centro do Rio)
Investimento: R$ 140,00 (com certificado de participação emitido pela UVA)
Local das aulas teóricas: Campus da Universidade Veiga de Almeida - Av. Felicíssimo Cardoso, 500 em frente ao Barra Shopping, na Barra da Tijuca.
Aulas externas: aos sábados, no Centro do Rio, a partir das 9:00 horas da manhã.
Inscrições: 3325-2333 / r. 113 (coordenação de extensão da UVA) com Viviane ou Rogério, das 9:00 às 21:00 horas.
Informações: extensaobarra@uva.br


Aproveitei a deixa para colocar algumas fotos de minha autoria, feitas numa primavera de 1999, época em que eu estudava no centro do Rio. Passe o mouse sobre as fotos para ver a legenda e clique para vê-las ampliadas.

Centro Cultural Banco do Brasil e Casa França Brasil   Centro Cultural Banco do Brasil

Paço Imperial e Palácio Tiradentes   Mulher com Ânfora - Chafariz (Praça Pio X)

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IX Flash Blog

Dia 19 de outubro, Domingo, ao meio-dia, acontecerá o 9º Flash Blog lá na Ilvia, que diz o seguinte: "Como micareteira de carteirinha o tema não poderia ser outro, não é mesmo?! Então tratem de vir de abadá, disposição de sobra e muita alegria. Vamos cair na folia neste blog."


A arte do banner quem fez foi a Helen.


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E para terminar...

Se alguém quiser ajustar o blog para o horário de verão é só clicar aqui no Blog FAQ do Interney que ele dá as dicas.

Eu odeio o Horário de Verão!!!

Bom fim de semana a todos, aproveitem o sol e o belíssimo céu azul, grata pelas visitas, comentários e e-mails. Aos poucos vou respondendo. Beijão bananístico!

outubro 15, 2003
Yes! Nós temos Elvis-Bananas!

Extra, extra! Fofoca!


Olha, eu vou contar uma coisa pra vocês: hoje não ia ter post.
Eu pretendia fazer umas visitinhas, responder alguns dos meus "trocentos" e-mails acumulados e tentar dormir um pouco mais cedo.
Aí abro os comentários e vejo a Moça falar:
"Helô vi você com o Elvis lá no Palavras Tortas!"

Gente! Eu e o Elvis? Será então que é verdade? Elvis não morreu?
Mas antes de ficar tentando descobrir se o Elvis tá vivo ou não tá corri no Palavras Tortas, blog da minha querida Li Stoducto. E não é que era sério?
A danada descobriu meu romance com Elvis!



Parabéns aos amigos pofessores, que hoje comemoram o seu dia.

Vejam que linda a ilustração! É do blog A Criatura e a Moça.


outubro 14, 2003
Saudade

Saudade

Sentir saudades é inspirador pra mim. Não porque eu queira viver de passado e reminiscências. Mas porque olhando pra trás consigo ter a exata medida do que realmente importa e merece ser lembrado, e também das coisas que valem a pena ser sonhadas e, quiçá, realizadas.

Escreve bem a Suzi Hong

Segundo o Aurélio...

[Do lat. solitate, 'soledade', 'solidão', pelo arc. soydade, suydade, poss. com infl. de saúde.] S. f. 1. Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia 2. Pesar pela ausência de alguém que nos é querido.

outubro 13, 2003
Antologia do Erramos Nesta antologia

Antologia do Erramos

Nesta antologia você encontra correções de erros recorrentes no jornal e outras que chamam a atenção pelo teor.

As notas são recolhidas desde 1991, quando a Folha passou a publicá-las reunidas na seção "Erramos".



A peste pneumônica é transmitida por gotículas de saliva, diferentemente do que informou o texto publicado na pág. 2-10, no dia 24/09.
O texto afirmava que a doença era transmitida por filhotes de perdiz. Quem editou o texto procurou um sinônimo para perdigoto, que pode significar tanto salpico de saliva como filhote de perdiz. (28.set.94)

Texto de capa do caderno Ilustrada da edição de anteontem grafou incorretamente no primeiro parágrafo a palavra ortografia (saiu hortografia). (25.fev.95)

Diferentemente do que foi publicado à pág. 9-2 (Imóveis) de 6/8, na reportagem "Publicitário opta por sala limpa", o nome correto do instrumento é piano de cauda. Houve troca de cauda por calda. (12.ago.95)

A reportagem "Presidente terá faixa nova na posse", publicada anteontem, na pág. 1-11 (Brasil), refere-se incorretamente à efígie da República como esfinge da República. (8.dez.98)

Diferentemente do publicado na coluna Brasília de ontem, à pág. 1-2 (Opinião), o secretário da Segurança de São Paulo, José Afonso da Silva, não é safenado, não sofre de isquemia coronariana nem recebeu orientação médica para evitar problemas emocionais. (5.abr.97)

Diferentemente do que foi publicado na seção de necrologia, caderno São Paulo, nos dias 24/6 (pág. 3-6) e 25/6 (pág. 3-8), não houve missa de Ricardo Bacanhim Pereira. Ele está vivo. (27.jun.97)

Diferentemente do que foi publicado em 29/11, na pág. 5-7 Folhinha, o tatu não nasce de um ovo. Ele é um mamífero placentário, que se desenvolve na barriga de sua mãe. (6.dez.97)

O quadro da edição de 9/1 de Ciência, referente à reportagem "Viagra para mulher", à pág. 25 do caderno Mais, indica erroneamente a vagina no local do ânus. No mesmo quadro, o testículo está incorretamente indicado no local do escroto. (14.mar.00)

Diferentemente do que foi publicado no texto "Artistas periféricos passam despercebidos", à pág. 5-3 da edição de ontem da Ilustrada, Jesus não foi enforcado, mas crucificado, e a frase "No princípio era o Verbo" está no Novo, não no Velho Testamento. (7.dez.94)

Em alguns exemplares da edição de 30 de março de Esporte, foi informado incorretamente à pág. 4-3 que o personagem bíblico Jó criou a arca que salvou as espécies animais do dilúvio. Foi Noé quem construiu a arca. (6.abr.95)

O nome do maestro Eleazar de Carvalho saiu grafado errado na edição de ontem à pág. 1-9 do caderno Brasil. (5.jul.94) (Saiu sem o v)

Por erro de digitação, foi grafado poço cartesiano, em vez de artesiano, na página 3-1 de sábado último. (16.fev.94)

Na nota "Balão", da coluna Joyce Pascowitch, publicada à pág. 5-2 (Ilustrada) de 18/12, onde se lê "bando Opportunity", leia-se "banco Opportunity". (21.dez.95)

Diferentemente do que foi publicado à página 2-9 de 29 de maio, na reportagem "Estrutura política do Brasil é um desastre", a região da Califórnia, nos Estados Unidos, onde se concentram as indústrias de computadores é conhecida como Vale do Silício. Em inglês, Silicon Valley. Saiu publicado "Vale do Silicone". (18.jun.94)

A expressão em inglês "piss and vinegar" foi traduzida incorretamente, de forma literal, por "mijo e vinagre", na pág. 7 do suplemento Time publicado ontem. A gíria é usada para dizer que uma pessoa tem pique, energia. (12.mar.99)

O músico Carlos Santana é guatemalteco, e não mexicano, como informou reportagem à pág. 4-3 (Ilustrada) de ontem. (12.mar.96)

Diferentemente do que informou ontem esta seção, o músico Carlos Santana é mexicano. (13.mar.96)

Se você quiser ver muito mais, basta clicar no link do título. O fusquinha é pra você ficar tonto e não se lembrar que já viu isto muito tempo atrás.

outubro 11, 2003
Dia das Crianças Escolhi Mary

Dia das Crianças


Escolhi Mary e Eliardo França, artistas da terra reconhecidos internacionalmente, para homenagear as crianças, que têm o seu dia comemorado em 12 de outubro.
As ilustrações são da Coleção Gato e Rato, uma das minhas preferidas.
Os desenhos são obras de arte, alguns feitos todos em lápis de cor.
Além disto, a Coleção já foi indicada durante alguns anos como melhor obra para crianças pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.


"Apesar de já ser avô, tenho um bichinho colorido que continua jovem.
Um menino, pra falar a verdade.
E toda vez que vejo uma caixa de lápis de cor, ele me dá uma roída poderosa e diz:
- Ei, cara! Existe no mundo coisa mais bonita?
O que fazer? Sento à prancheta de desenho e mando bala!" (Eliardo França)




Juju, o post de hoje é dedicado a você.
A Juju é uma linda garota que mora no lugar mais quentinho do meu coração.

outubro 8, 2003
Votos Partidos

Era tarde a noite passada O cão falava de você O pássaro cantava no pântano Falava de você Você é o pássaro solitário na floresta Que você fique sem companhia até achar-me Você prometeu e mentiu Disse que estaria junto a mim Quando os carneiros fossem arrebanhados Eu assoviei e gritei cem vezes E não achei nada lá A não ser uma ovelha balindo Prometeu-me algo difícil Um navio de ouro sob um mastro prateado Doze cidades e um mercado em todas elas E uma branca e bela praça à beira mar Você prometeu algo impossível Que me daria luvas de pele de peixe E sapatos de pele de ave E roupa da melhor seda da Irlanda Minha mãe disse para eu não falar com você Nem hoje Nem amanhã Nem Domingo Foi um mal momento para dizer-me isso Como trancar a porta após a casa arrombada Você tirou o Leste de mim Tirou o Oeste de mim Tirou o que existe à minha frente Tirou o que há atrás Tirou a Lua Tirou o Sol de mim E o meu medo é grande Você tirou Deus de mim

Escultura em bronze
Níobe ferida - 1906/1907
Camille Claudel


*****

Atualização - 09/10/02

O poema acima foi extraído de "Os Vivos e os Mortos" (The Dead), belíssimo e derradeiro filme de John Huston, que ele corajosamente ousou adaptar do conto "Os Mortos", de James Joyce (do livro Dubliners).

Huston, considerado um dos maiores cineastas do século, dirigiu 37 filmes, participou de alguns outros como ator e escreveu vários roteiros. Estão entre seus melhores filmes: "O Tesouro da Sierra Madre", "Uma Aventura na África" e "O Homem que Queria Ser Rei".

Voltando ao poema, que recebi há alguns anos de uma amiga mui querida, pensávamos tratar-se de Joyce, já que o filme foi uma adaptação de conto The Dead, do escritor irlandês.

Só agora, com a facilidade da pesquisa via Internet, descubro que "Votos Partidos" é de autoria desconhecida.

Pois curtam a triste balada e confiram os dois links.

Anonymous
8th Century Irish ballad
Translated by Lady Augusta Gregory

Irish Poems (final da página)

P.S. Sonja, veja como sempre foi rica a nossa amizade. Beijos e saudades.

outubro 6, 2003
Key

O João, o Marcello, o Juca e a Sophia


Tudo começou quando o meu amigo João, do Grafolalia, prometeu colocar no blog uma foto da Sophia Loren nua - raridades que só o João Bührer possui. Conversa vai, conversa vem, cerveja gelada pra lá e pra cá, a turma do "buteco" (, Edmundo, Panis, Nei Lima...) cobrando e nada do João achar a Sophia.

Foi então, num dia de quase primavera, que uma banana maluca entrou lá nos comentários e disse:

Banana: "João, brigadão pela correspondência. Será que depois da Sofia não dá pra você colocar uma foto do Marcello Mastroianni peladão? Beeeeeeeijos pra todos!"

João: "Seguinte, lamento mas agora tenho que ser indelicado e dar um NÃO bem grandão pra você. Não e não. Se quiser ver homem pelado vá pra outro buteco, nós não iremos ficar sentidos com você, contanto que depois deste interregno você volte pra nossa convivência. Que sem você este buteco não tem razão de ser, e fecha as portas logo logo. Beijoão."

Edmundo: "Helô, na parede deste buteco parece que não há espaço para Marcello, au naturel" ...

Banana (depois de procurar no dicionário o que é interregno): "Buáaaaaaaaaaa! Eu quero o Marcello!"

Key: "Ûrra, eu sempre digo, esse bar é de gente doida prontinha pra camisa de força: começa com ex-líbris e termina com homem pelado!!!"

Edmundo: "Helô, fica triste não. O mundo gira e a Lusitana roda. Quem sabe, né, talvez possa ocorrer uma revisão ideológica futura, talvez no próximo milênio"...

Key: "Seu Almeida, antes de tudo, o cavalheirismo: a menina quer o Marcelo, dê pra ela! A gente fecha os olhos pra não ver coisa feia...

João: "Key, não posso colocar homem pelado aqui simplesmente porque não disponho em estoque. Nunca pensei no assunto, e agora, vou sair por aí procurando homem pelado?"

Edmundo: "João, de fato sair procurando o Marcelo pelado, nesta altura do jogo, não vai ser bem compreendido. E a explicação de que é para uma amiga vai parecer desculpa esfarrapada."

*****

Globo de hoje Caderno: Informática Etc Coluna do Gravatá

BLOG: Grafolália

A Helô cobrou uma foto do Mastroianni pelado. Não achei. Serve esta de Juca Chaves? É de uma entrevista dele na revista "Ele & Ela" de fevereiro de 1978. Com a manchete: "Cansei de vencer pelo talento. Agora quero ser um objeto sexual". Para ilustrar a matéria, deixou-se fotografar nu.
João Antônio Bücher

http://grafolalia.blogger.com.br

*****

Gente! Depois de comemorar a presença do João, no Gravatá, a Banana corou! Parecia mais um caqui!

Parabéns, João! Nem o nome do blog com acento e o seu sobrenome com "c" tiraram o brilho e o mérito da merecida indicação.

Quem diria? E tudo começou com a Sophia...

outubro 5, 2003
Dia de Bananada

Do Nelson da Praia:

Este que vos posta tem o encabulado prazer de informar que teve quatro de seus textos publicados nesta revista que dispensa apresentações. Assim, ao comprar sua CULT deste mês, vai direto pra página 59, na seção Radar, pra ler meus mini-contos "Memória", "Solipsismo", "Onomástica" e "Teleofobia".

Almirante, já comprei a revista pra ver se fico mais cult.
Parabéns e pode deixar que a cerveja é por minha conta, como já disse na Praia.
Peço licença para deixar um trechinho aqui:

Um dia você acorda, vai tomar seu café em companhia de Mariana, ou Maria Amélia, e comenta casualmente, antes de levar a xícara de chá aos lábios, e sem que saiba exatamente de onde veio a lembrança: "Sabe, estive pensando - acho que Capitu traiu, sim", e Mariana, ou Maria Amélia, retruca "Capitu? Que Capitu?"

A seguir, opiniões dos praianos sobre o conto na Cult, colhidas pela Banana:

Mirandinha: Aí, chegado, a patroa já sabe que tu arrumou mais duas encrencas?

Ulisses, cunhado do Mirandinha e tesoureiro da Praia: Mermão, com essa grana pintando por aí vai dar pra pagar as dívidas da Praia.

Dona Constância, sogra do Mirandinha: Ah, meu nego, depois da Cult o próximo passo é a Caras.

Claude Trolgô, chef de cuisine e casca-grossa: Crruzes! Xícarra de chá? Eu só tomo "champagne" 51 no café da manhã.

Olívio de Curvello, filósofo: O autor despreza e abomina o dever número 1 do jornalista contista, que é checar e averiguar antes de afirmar se Capitu traiu ou não traiu. Deve ser simpatizante das FARC.

A patroa do Mirandinha: Manda essa tal Capitu passar uns tempos aqui que eu dou uns conselhos pra ela...


Betão

Quando o gato sai, os ratos fazem a festa e você tem olho-de-gato.
Como de noite todos os gatos são pardos eu dei o pulo do gato, mas tirei a sardinha com mão de gato, pois a curiosidade matou o gato. Quem não tem cão, caça com gato e quem não tem gato, corre no mato. Melhor ir saindo de fininho, pois gato escaldado tem medo de água fria. Isso aqui ta um saco de gatos!


Merendeira-Bananeira-Tabajara

Já que eu sou viciada em café, roubei a merendeira descaradamente do Café Preto, que sempre tem dicas imperdíveis. Aproveita e passa lá pra comemorar o 1º aniversário do blog. Parabéns, Ricardo!

Da série: "Era só o que faltava" - merendeira

Um alemão inventou uma caixa especial para transportar bananas.
Detlef Kruse diz que teve a idéia de proteger seu lanche, até a hora de comer.
O inventor trabalha na Kruse Kunststoff, uma companhia especializada em materiais plásticos. O recipiente amarelo curvado, brilhante, ganhou o nome de Banabox, mede aproximadamente 9.8 polegadas de ponta à ponta e tem um diâmetro de duas polegadas. Fixado o preço aproximadamente em £2.70p, a caixa é vendida através do Web site da companhia em www.banabox.de


O Máximo!!!

Sim, ele deve estar no mínimo feliz. Parabéns, Ina!, pela indicação de Blogs Favoritos do No Mínimo. Agora só falta o iBest!


Agradecimentos, recados e homenagens bananísticas

Gente nova nos comentários!
Deixo registrada a presença de duas pessoas que chegaram e enriqueceram o bananal.
Grata pela visita e pelo carinho, Arnaldo Mefano e Helenice.

Tereza! Amocê!

Encerro com flores, em homenagem especial a duas amigas queridas:

- Lu, que fez aniversário no dia 03/10

- Angela Scott, que por um período vai deixar o blogverso mais pobre.


Obrigada pelas visitas e um bom Domingo a todos!

outubro 3, 2003
Nasceu uma flor no muro

Nasceu uma flor no muro


Você já viu um muro construído no mar? Consegue visualizar essa imagem?
Comportas mecânicas que só abrem com códigos de acesso para grandes transatlânticos e submarinos nucleares? Sistemas em decadência marginalizando barcos menores, canoas? Frotas inteiras sem direito a singrar todos os mares, excluídas do exercício livre da navegação?

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A humanidade, representada por governantes e alcaides de plantão, cria e mantém uma infinidade de grades. Democracias separadas de tiranias. Povos separados de povos. Gente separada de oportunidades.

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A propósito, empresas adoram muros que separam a sociedade do conhecimento e as mentes de seus funcionários. Pensar é perigoso, diz a assinatura de e-mail de um velho amigo acadêmico. Baseados em argumentos discutíveis de que o servidor corporativo pertence à organização, impedem uma navegação livre de seus funcionários. Substituem a educação digital pelo monitoramento. Um Grande Irmão, de terno e gel no cabelo, seguindo os passos dos funcionários com um torniquete medieval nas mãos; incomodando-se com a possibilidade deles dialogarem com outras comunidades empresariais. Um Grande Irmão que, na verdade, cria grilhões capazes de impedir o próprio crescimento da corporação.

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Nos grandes jornais, muitas vezes por ingenuidade e conceitos ultrapassados, notícias dos mares digitais só ganham a primeira página quando contém uma aura de sensacionalismo ou de anomalia. O assassino que conheceu sua vítima na internet; vírus destruidores de sistemas disparados de Singapura; sites neonazistas cultivando o ódio; exploração impiedosa de menores. São os muros do medo, deturpando uma Web com as mesmas características, defeitos e virtudes do ser humano

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Uma guinada a bombordo e converso por ICQ com o editor, jornalista e crítico literário, Rodrigo Gurgel. De sua nau www.cronicaliteraria.blogger.com.br, ele oferece visões tocantes ao trocarmos impressões sobre muros. Navegador experiente, Rodrigo lembra que um muro tem a magia de nos mover à sua transposição, pois é um convite expresso, urgente e inadiável à curiosidade e ao desejo do homem, nunca satisfeito, no sentido de superar quaisquer obstáculos.

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Um chamado pelo rádio. De uma ilha distante, onde está atracado seu barco Paulo Bicarato, jornalista e pioneiro ativista da Blogosfera. Alô, alô, Bica, câmbio: Muros e muralhas servem de máscara para os próprios homens não enxergarem a vergonha de terem que se esconder. Mas, também, são os símbolos da resistência a serem subvertidos, derrubados. Não falo do muro de Berlim; falo do muro que me servia de apoio para roubar goiabas e amoras do terreno do vizinho, enquanto o cachorro se esbaforia lá no chão tentando me assustar. Como uma travessura lúdica, faz-se urgente estimular todos a escalar muros, ultrapassar barreiras.

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Recebo um e-mail da futurista Rosa Alegria, co-diretora do Projeto Millenium no Brasil, iniciativa global da Universidade das Nações Unidas. Ela é clara em sua mensagem: Criar o futuro é imaginar o que está por trás de cada muro e não abandonar nossos desejos. Cada muro que aparece é uma possibilidade de transpor nossos medos e transcender nossos limites mentais. O grande salto dessa nova civilização não vai ser o de passar por cima do muro, mas o de contemplar aquilo que está por trás dele e ainda não foi visto.

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Muros que nos trazem novas rotas, muros que não são obstáculos, mas novas fronteiras de um novo caminhar, como recita Rosa Alegria.

Nada que impeça o nosso olho de vasculhar a planura, a vastidão e qualquer outro horizonte pode permanecer, por muito tempo, intocável ou insuperável,como canta Rodrigo Gurgel

Apr(e)ender a liberdade, como quer Guimarães Rosa, lembrado por Paulo Bicarato, que nos remete ao Grande Sertão: Veredas, ... liberdade - aposto - ainda é só alegria de um pobre caminhozinho, no dentro do ferro de grandes prisões. Tem uma verdade que se carece de aprender, do encoberto, e que ninguém não ensina: o beco para a liberdade se fazer.

E você?
Já transpôs ou derrubou seu muro de hoje?
Não acha que está na hora de ouvir esses arrais?

Manoel Fernandes Neto, jornalista, 40 anos, atua nas comunidades digitais desde 1997. Criador e editor de uma das revistas mais populares entre diversos movimentos e comunidades de vanguarda da Web Brasileira, a Novae.inf.br.

outubro 1, 2003
A Liberdade e o Limpador

A Liberdade e o Limpador de Língua


Hein? Limpador de língua?


Um dos meus programas favoritos, quando vou a São Paulo, é passear na Liberdade. Eu adoro comida japonesa e os restaurantes e mercearias do bairro são um convite ao prazer da gula e da visão. Pena que na última visita, em Abril deste ano, eu não havia comprado ainda a máquina digital.

E a feirinha de Domingo? Um grande barato! Na última vez fiquei um tempão na barraca de um simpático velhinho japonês. Ô dó, perdi o papel onde anotei seu nome. Andei pesquisando no site da Feira e acho que o nome é Kiyoshi. Se não for, um dia eu conto, mas é o que vou adotar neste pequeno diálogo.

Seus artefatos são feitos em bambu: espátulas, lixas de pé...

- Mas seu Kiyoshi, para que serve este aqui?

- Este é limpador e coçador de ouvido (disse ele, com carregado sotaque oriental)

- Vou levar um

- Um só? Leva dois, um pra cada ouvido

- Mas é só um que coça

- Tá bom, então leva só um

- Seu Kiyoshi! O que é isto?

- Isto é um limpador de língua. Muito bom pra saúde da boca.

- Limpador de língua?

- Sim, só dobrá-lo um pouco e raspar a sujeira da língua (demonstrando com a língua pra fora). Não tenha medo, bambu resistente, não quebra, não quebra (dobrando a peça pra lá e pra cá). Depois de usar, lava bem com água e sabão e enxuga com um pano bem limpo.

- Tá bom, vou levar este também.


Saí de lá feliz com os preciosos artefatos de bambu, feitos cuidadosamente pelo simpático velhinho, que dizia com orgulho ter mais de 80 anos. Eu valorizo muito um trabalho feito a mão, principalmente os que apresentam originalidade e simplicidade. E ali estavam as duas características reunidas, sem contar que eu amei Seu Kiyoshi.

De volta pra casa resolvi pesquisar na Internet sobre o Limpador de Língua.
Surpresa! Um monte de sites encontrados. O artefato foi inventado pela dentista Ana Christina Kolbe e é indicado para o complemento da higiene bucal e prevenção da halitose.

Tem mais, o aparelho é fruto de onze anos de pesquisas da dentista. Ela se baseou em limpadores de língua existentes no passado: "Havia aparelhos para retirar a sujeira da língua em osso e pedra desde a pré-história. Na Europa, eles eram feitos em marfim e prata".

Tinha razão Seu Kiyoshi...